7
O Ativo
e sua Avaliação
7.1 GENERALIDADES
É tão importante o estudo do ativo que poderíamos
dizer que é o capítulo fundamental da Contabilidade, porque a sua definição e
avaliação estão ligadas à multiplicidade de relacionamentos contábeis que envolvem
receitas e despesas. É crítico o entendimento da verdadeira natureza do ativo,
em suas características gerais, a fim de que possamos entender bem as
subclassificações que aparecem em vários tipos de padronização, em vários
países. Entre nós, por exemplo, tem-se entendido o grupo pendente até há pouco
vigente (antes do advento atual da Lei das Sociedades por Ações) de forma
muitas vezes desfigurada, devido a mau entendimento da natureza geral do ativo.
Ativo é ativo, independentemente de pertencer, por uma ou por outra
classificação, a este ou àquele grupo.
7.2 ALGUMAS
DEFINIÇÕES DE ATIVO
Segundo Francisco D’Auríaj’ o ativo é, finalmente, “o
conjunto de meios ou a
matéria posta à
disposição do administrador para que este possa operar de modo a
conseguir os fins
que a entidade entregue á sua direção tem em vista”...
Esta definição é, de certa forma, restrita, pois fala
em conjunto de meios ou da matéria posta à disposição. Pode dar a entender que
se trata apenas de meios materiais ou tangíveis, deixando de lado elementos tão
importantes como goodwill. Além do mais, não projeta exatamente o que esses
meios devem realizar para que possam ser considerados como ativo. Que tipo de
serviço está implícito em tais meios? Tem, todavia, o mérito de pôr em realce,
implicitamente, a distinção entre donos do capital e gerência.
Segundo Sprouse e Moonitz, no ARS nº 3, do AICPA, de
1962, “... ativos representam benefícios futuros esperados, direitos que foram
adquiridos pela entidade como resultado de alguma transação corrente ou
passada”...
A ênfase, nesta definição, está na potencialidade de
serviços por parte dos ativos para a empresa. Aproxima-se de uma definição
bastante precisa para nossas finalidades, embora dê, talvez, excessiva ênfase
ás transações presentes ou passadas. Ativos podem ser constituídos como
resultado do esforço de pesquisa da empresa, de natureza continua, pela
organização excelente e por fatores intangíveis não necessariamente ligados a
transações com o mundo exterior.
Walter e Charles definem
ativo como “recursos econômicos possuidos por uma empresa”.
Esta definição
caracteriza-se pela concisão e apresenta muitas dimensões de acerto, pois
revela claramente que o ativo é constituído por recursos econômicos (estes têm
uma definição bem abrangente em teoria), especificando a qualidade da posse por
parte das entidades. Parece-nos que a propriedade é também elemento importante
para definição dos ativos. De fato, mercadorias, por exemplo, podem ter sido
adquiridas e encontrar-se em trânsito no ato do levantamento do balanço; nem
por isso deveriam ser deixadas de fora do mesmo. Outras vezes, como no caso de
leasing (alguns tipos), a posse e o controle são elementos-chaves.
Paton³ considera
que “... ativo é qualquer contraprestação, material ou não possuída por uma
empresa específica e que tem valor para aquela empresa
Considerando-se que
esta definição data de 1924, tem ela grande mérito, porque realça os aspectos
materiais ou não dos ativos, e porque salienta que o ativo precisa ter valor
para a empresa, não sendo suficiente que tenha apenas um valor de troca. Está
implícita a noção de utilidade do ativo para a empresa,..
O Comitê de
Terminologia do AICPA, em 1941 e em 1953, no Accounting Terminology Bulletin nº
1, apresenta uma definição casuística de ativo da seguinte forma: “... algo
representado por um saldo devedor que é mantido após o encerramento dos livros
contábeis de acordo com as normas ou os princípios de Contabilidade, na
premissa de que representa ou um direito de propriedade ou um valor adquirido,
ou um gasto realizado que criou um direito”...
Do exposto,
depreende-se que:
1. o ativo deve ser
considerado á luz da sua propriedade e/ou á luz de sua posse e controle;
normalmente as duas condições virão juntas;
2. precisa estar incluído
no ativo, em seu bojo, algum direito específico a benefícios futuros (por
exemplo, a proteção à cobertura de sinistro, como direito em contraprestação ao
prêmio de seguro pago pela empresa) ou, em sentido mais amplo, o elemento
precisa apresentar uma potencialidade de serviços futuros (fluxos de caixa
futuros) para a entidade;
3. o direito precisa ser
exclusivo da entidade; por exemplo, o direito de transportar a mercadoria da
entidade por uma via expressa, embora benéfico, não é ativo, pois é geral, não
sendo exclusivo da entidade.
7.3 CARACTERÍSTICAS
ADICIONAIS
Bens incorporados por doação são ativos, da mesma
forma que os adquiridos ou construídos, desde que confiram á entidade
expectativas de benefícios futuros. Se as doações se revestirem de
características recorrentes, como, por exemplo, no caso de entidades não
lucrativas que têm como fonte parcial de suas receitas (de seus orçamentos)
doações, a contrapartida deverá ser a crédito de receita, eventual-mente
extra-operacional. Se se tratar de doação de ativos permanentes, para servirem
a mais de um ciclo operacional, a contrapartida poderá ser a crédito de uma
conta de patrimônio líquido.4 As depreciações ou amortizações de tal ativo
poderão ser encerradas, no fim dos períodos, contra esta conta de patrimônio
líquido.
Os direitos, por outro lado, precisam ter um benefício
líquido positivo, Hendriksen apresenta o exemplo de um edifício que perdeu seu
valor de serviço para a entidade. Se o custo de remoção deste edifício for
exatamente igual ao valor de liquidação de seus materiais, não pode ser
considerado um ativo.
7.4 AVALIAÇÃO E MENSURAÇÃO
DOS ATIVOS
Pelo fato de os ativos serem recursos econômicos
alocados ás finalidades do negócio, dentro de um período específico de tempo, e
sendo agregados de potenciais de serviços disponíveis ou benéficos para as
operações da entidade, o significado de alguns ativos somente pode ser
relacionado aos objetivos da entidade e dependerá da continuidade desta.
(Comitê de Conceitos Contábeis e Standards da AAA —American Accounting
Association, 1957, p. 3.)
Assim, o problema
consiste em “traduzir” os potenciais de serviços em “reais a equivalentes”. O
mesmo Comitê da AAA aduz o seguinte: “Conceitualmente, a medida de valor de um
ativo é a soma dos preços futuros de mercado dos fluxos de serviços a serem
obtidos, descontados pela probabilidade de ocorrência e pelo fator juro, a seus
valores atuais.” Entretanto, este conceito de valor é uma abstração que tem
bases práticas limitadas para a quantificação. Conseqüentemente, a mensuração
dos ativos é normalmente realizada por outros métodos mais práticos. Todavia,
como afirmam Griffin, Williams e Larson, em seu trabalho Advanced Accounting,
“apesar dos impedimentos práticos a este tipo de avaliação descontada, é
preciso apresentá-la, devido á evidenciação da verdadeira natureza dos ativos
que auxilia a consolidar”.
A esse respeito, o investimento em debêntures
de uma sociedade pode fornecer um interessante exemplo. Neste aspecto, dois
fluxos distintos podem ser individualizados conceitualmente: 1. o juro em
dinheiro a ser recebido em intervalos específicos de tempo; e 2. o principal,
ou o valor nominal do título, a ser resgatado no vencimento. Ambos devem ser
descontados a uma taxa apropriada de juros, para os períodos
relevantes de tempo. Outro exemplo, que detalharemos, é o de um investimento
em equipamentos. Presuma que uma empresa possui uma máquina da qual se espera a
produção, durante um período de três anos, de uma receita anual de $ 165.000,00,
com custos “de desembolso” anuais de $ 15.000,00. A máquina tem um
valor residual esperado de $ 30.000,00 no fim de sua vida útil. Se presumirmos
uma taxa de retorno desejada de 15% a.a., o valor atual deste ativo pode ser
assim calculado:
Valor Atual das Receitas Líquidas Futuras
$
150.000,00 $
150.000,00 $ 150.000,00
1,15 (1,15)2 + (1,15)3
VARLF = $ 342.483,77
Valor Atual do Valor Residual
VAVR $30.000,00 — 19.725,49
(í,i~)~
Valor Atual do Equipamento
VAE = VARLF
+ VAVR
= $342.483,77 + $19.725,49 $362.209,26
~ claro que deveríamos comparar este valor atual
com o custo necessário para adquirir o equipamento, para decidir se vale a pena
o investimento. Note que as receitas a serem
descontadas são de caráter puramente financeiro, não devendo ser descontada de
tais receitas a depreciação do equipamento. Conforme salientam
esses autores, este tipo de avaliação evidencia os seguintes fatores:
1. A seleção de uma taxa apropriada de desconto é
importante. Esta taxa deveria ser de risco equivalente ao do investimento
considerado. Na prática, esta não é tarefa fácil.
2. Como afirmamos, é importante não subtrair das
receitas a depreciação. Embora a base caixa efetiva seja ideal, uma aproximação
frequentemente utilizada para a receita líquida de caixa é: lucro líquido contábil + depreciação
e outras despesas “não caixa”.
Uma
análise mais complexa do que a avaliação individualizada vista anteriormente
implicaria o cálculo de um valor agregado único para toda a empresa. Entretanto,
este valor seria uma avaliação tanto para os ativos intangíveis como para os
tangiveis. Assim, o resultado seria a avaliação da empresa como um todo e,
desde que se admita a hipótese da perpetuidade, poderia ser expresso assim,
simplificadamente:
Receitas
líquidas médias projetáveis
VE =
Fator de desconto
Uma das críticas mais freqüentes ao método de avaliação individual é que
vários ativos contribuem, conjuntamente, para a produção de fluxos de receitas
líquidas, sendo difícil determinar a contribuição individual de cada ativo e,
mesmo que possível, a soma dessas contribuições individuais não seria igual ao
valor dos ativos como um todo, em virtude dos fatores intangíveis não
individualizáveis (organização etc.) que provocam uma receita líquida maior (ou
menor) que a soma das contribuições individuais. Uma
fórmula interessante de reconciliar as duas posições foi a idealizada por
Eliseu Martins, que consiste basicamente em avaliar a empresa como um todo pelo
processo descontado e, em seguida, avaliar cada ativo por sua contribuição
individual. A diferença seria o goodwill, positivo ou negativo.
Como vimos, essas mensurações baseadas em fluxos descontados têm,
entretanto, algumas limitações derivantes da dificuldade da escolha de uma taxa
adequada de juros e outros fatores subjetivos.
Em sentido mais tradicional, o problema da avaliação do
ativo tem sido dividido em duas partes fundamentais: 1. ativos monetários —
disponibilidades — e ativos assemelhados, que deveriam ser expressos em termos
de entradas esperadas de caixa, ajustadas pelo prazo de espera de recebimento,
sempre que relevante; 2. os itens não monetários — inventários, instalações e
equipamentos, investimentos de longo prazo e ativos diferidos — não são tão
amenos quanto à sua avaliação, como os monetários. Tais ativos seriam
tipicamente determinados ou avaliados pelo custo de aquisição ou algum conceito
derivado. De fato, presumindo um mercado livre, espera-se que o custo de
aquisição expresso pelo preço de barganha de um ativo seja uma quantificação
satisfatória das expectativas de serviços futuros, no momento da aquisição. Modificações
no custo de aquisição podem ser ocasionadas pelo reconhecimento de fatores,
tais como a depreciação, a depleção, a amortização ou a obsolescência.
Verifica-se que,
no âmago de todas as teorias para a mensuração dos ativos,
se encontra a
vontade de que a avaliação represente a melhor quantificação possível dos
potenciais de serviços que o ativo apresenta para a entidade.
Analisaremos os
seguintes conceitos alternativos:
1. custo
histórico;
2. custo
histórico corrigido pela variação do poder aquisitivo da moeda;
3. custo
corrente (ou de reposição);
4. valores
de saída (“realizáveis”);
5. valores
descontados (já vistos).
Antes de passar em revista tais conceitos
alternativos é importante lançar uma ponte entre valores subjetivos
(descontados), valores de realização e custos de reposição. A
discussão a seguir está baseada no Capitulo III de nossa tese de doutoramento
na USP, de 1966, Contribuição à Teoria
dos Ajustamentos Contábeis, inspirado no notável trabalho de Edwards e
Bell.
Após
ter analisado várias alternativas, o empresário opta pela compra de uma máquina.
Assim, escolheu determinada estrutura patrimonial entre as várias possíveis. Vamos
supor que as receitas líquidas esperadas no fim de cada ano obedeçam à
seguinte ordem:
— Primeiro
ano — $ 500.000,00
— Segundo ano — $ 800.000,00
— Terceiro ano — $ 350.000,00
— Quarto ano — $ 220.000,00
O valor de aquisição é de $ 1.500.000,00
e espera-se vender a máquina no fim de sua vida útil (no fim do quarto ano) por
$ 300.000,00.
O plano não prevê reposição de fatores e extingue-se no fim do quarto ano. A
taxa adequada de desconto escolhida foi de 12% a.a.
O valor subjetivo da máquina, dado pelo valor atual das receitas
líquidas futuras, é:
VS $446.428,57 + $637.755,10 + $249.123,08 + $330.469,41 VS
$1.663.776,00
Nota-se
que o valor subjetivo no momento zero é superior
ao valor de aquisição do equipamento, o qual, em caso contrário, não seria
adquirido, dada a taxa de retorno desejada de 12% a.a. Essa taxa, como vimos, é
a taxa de retorno desejada sobre o investimento e não a taxa interna de
retorno. A última seria aquela taxa que igualaria o valor atual dos fluxos
futuros ao custo do investimento e, obviamente, no caso, seria maior do que 12%
Estamos
em condições de definir o goodwill ou,
mais precisamente, o ‘goodwill subjetivo”
(GS) no momento zero, que será a diferença entre VS e o custo do investimento
ou o valor atual líquido.
Assim,
GS = $1.663.776,00
—$1.500.000,00 = $163.776,00
Todavia,
ainda não cogitamos expressar o lucro subjetivo (ou econômico, segundo alguns
autores). Em uma primeira aproximação, diremos que esse lucro éigual à taxa de
desconto multiplicada pelo valor atual das receitas líquidas. Assim, lucro
econômico (subjetivo), Le = i. VS = 0,12 x $ 1.663.776,00 = $ 199.653,12.
Lucro
econômico é o que pode ser consumido sem enfraquecer o valor subjetivo da
empresa. Assim, no fim do primeiro ano de atividade, ao calcularmos o valor subjetivo da
máquina, logo após termos recebidos e distribuído a receita liquida de $
500.000,00, deveríamos proceder da seguinte forma:
v1=
$ 800.000,00 $
350.000,00 $ 520.000,00
1,12 (1,12)² (1,12)³
=v1= $ 714.286,00 + $ 279.018,00 + $ 370.126,00 =
$ 1.363.430,00
Entretanto, se tivéssemos distribuído apenas o lucro
econômico, sobrariam, dos $ 500.000,00, $ 500.000,00 — $ 199.653,12 = $ 300.346,88.
Este último valor deveria ser adicionado, a fim de sabermos o valor subjetivo
no fim do período. Assim, o novo valor subjetivo seria igual a $ 300.346,88 + $
1.363.430,00 $ 1.663.776,00! Note que este valor é idêntico ao valor subjetivo
no inicio do período.
Assim, verifica-se que, distribuindo apenas o lucro
subjetivo, não se alteraria o valor subjetivo. Isto seria verdadeiro para todos
os períodos.
É necessário realçar, entretanto, que, no exemplo
apresentado, a previsão quanto ás receitas liquidas do primeiro período foi
supostamente realizada, isto é, obtivemo-las efetivamente. Suponhamos, em uma
segunda hipótese, que a receita liquida de caixa efetivamente recebida seja de
$ 490.000,00 e não de $ 500.000,00. Por outro lado, supõe-se que as previsões
de futuras receitas tendam a ser diferentes das efetuadas com as perspectivas
de início de período, em virtude de alterações nas condições econômicas.
Poderia, assim, ser efetuada nova previsão das receitas para o segundo,
terceiro e quarto anos, e ainda seria realizada nova estimativa do valor
residual. Suponhamos que os valores previstos sejam:
para o segundo
ano: $ 788.000,00
para o terceiro ano: $ 420.000,00
para o quarto ano:
$ 365.000,00
para o valor
residual: $ 120.000,00
O valor
subjetivo da máquina alterar-se-ia para $ 1.873.605,00, assim calculado (no fim
do período 1>:
VS = $ 1.873.605,00
Dispomos, agora, de dois valores subjetivos: o
primeiro, calculado no inicio das operações, quando as expectativas estavam
influenciadas pela conjuntura econômica do momento; e o segundo, calculado no
fim do período, levando em consideração o primeiro desvio entre previsões e
realizações e partindo de novas condições econômicas.
Podemos, assim, calcular um conceito de
lucro ligeiramente diferenciado do simbolizado por Le. Seria uma espécie de
lucro econômico, que, apesar de subjetivo, seria ex-post, isto é, equivaleria a
mensurar o lucro de período. Desta forma, teremos:
Le = $ 1.873.605,00— $ 1.663.776,00 = $
209.829,00.
Assim, resumindo, teríamos os seguintes
conceitos e valores:
1. valor
subjetivo calculado no inicio de 1: $ 1.663.776,00;
2. valor
subjetivo calculado no fim de 1 com os valores estimados no inicio
de 1: $ 1.863.430,00 ($ 1.363.430,00 + $
500.000,00);
3. lucro
econômico baseado nas expectativas do inicio de 1: $ 199.653,12;
4. valor
subjetivo calculado no fim de 1 com as expectativas do fim de 1
$ 1.873.605,00; e
5. lucro
econômico do período ex-post: $ 209.829,00.
O conceito
n. 5 seria talvez o mais importante, tornando-se um ideal para a Contabilidade.
Entretanto, preferimos apresentar tais conceitos aqui como meros subsídios á
explicação da avaliação dos ativos. O mais importante será comparar tais
conceitos subjetivos com um plano de investimento baseado em valores de mercado
(de realização).
7.4.1 O
plano baseado em valores de mercado (de realização)
Suponhamos agora que, com os mesmos fundos
disponíveis do exemplo anterior, elaboramos um plano em função de valores
esperados de mercado (valores de realização, isto é, de venda). As receitas
líquidas de caixa esperadas para os vários períodos e o valor residual esperado
são os mesmos do primeiro exemplo, do valor subjetivo. A única diferença desse
plano consiste em se estimarem os prováveis valores de realização, não apenas
para o fim da vida útil, mas também para o fim de cada período de avaliação.
Assim, os valores residuais são: em 0, $ 1.500.000,00; em 1, $ 1.300.000,00; em
2, $420.000,00; em 3, $400.000,00 e, no fim da vida útil $ 300.000,00.
Podemos, então, elaborar o quadro a seguir:
|
|
AnoO |
Anol |
Ano2 |
Ano3 |
Ano4 |
|
|
|
|
|
|
|
|
Valor de realização do ativo antes da
distribuição de dividendos |
$ 1 500.000,00 |
$ 1.800.000,00 |
$ 1.220.000,00 |
$ 750.000,00 |
$ 520.000,00 |
|
Receitas liquidas |
— |
$500.000,00 |
$800.000,00 |
$350.000,00 |
$220.000,00 |
|
Valores residuais da máquina |
$ 1.500.000,00 |
$ 1.300 000,00 |
$420.000,00 |
$400 000,00 |
$300.000,00 |
O lucro
esperado, em termos de valores de realização para o primeiro período, seria
igual a $ 1 800 000,00 — $ 1.500.000,00 = $ 300.000,00; para o segundo
período, seria $ 1.220.000,00 — $
1.300.000,00, portanto, um prejuízo de
$ 80.000,00. Para o terceiro ano teríamos
um lucro de $ 750.000,00 — $ 420.000,00
= $
330.000,00; para o último ano, um resultado de $ 520.000,00 — $ 400.000,00,
um lucro de $ 120.000,00.
Como vimos, o lucro esperado no primeiro
ano é de $ 300.000,00. Se subtrairmos deste valor seu custo de oportunidade,
isto é, o resultado da multiplicação da taxa de 12% pelo investimento inicial
de $ 1.500.000,00, teremos $300.000,00—
—0,12 x
1.500.000,00 = $ 120.000,00. Este é o lucro em termos de valores de realização
em excesso a seu custo de oportunidade.
Trazido ao momento inicial pelo processo
de desconto, fica igual a $ 107.143,00, ou seja, $ 120.000,00/1,12.
Analogamente, para o segundo período,
teríamos:
— $ 80.000,00 — $ 156.000,00 = — $188.138,00, prejuízo
(1,12)².
Lembremos que o resultado nominal do
segundo ano era um prejuízo de $ 80.000,00. Adicionando o custo de oportunidade
e descontando pelo tempo, chegamos a um prejuízo total de $ 188.138,00. O custo
de oportunidade, $ 156.000,00, foi obtido multiplicando-se 0,12 por $ 1.300.000,00,
que é o valor do investimento no fim do período 1.
Para o terceiro e o quarto períodos temos,
utilizando a mesma metodologia, $ 199.013,00 e $45.757,00 de lucro, em valores
atuais. Somando-se algebricamente todos os resultados, obtemos: lucro total realizável
em excesso a seu custo de oportunidade descontado para o momento 0 $
163.776,00, o mesmo valor para o goodwill subjetivo calculado no exemplo
inicial. E realmente importante este fato, pois indica-nos um caminho de
conciliação entre valores subjetivos e de mercado, embora estes sejam de
realização. Assim, o goodwill subjetivo pode ser definido como a diferença
entre o valor subjetivo em determinado momento e o valor de aquisição dos
ativos. Entretanto, também pode ser conceituado como a capacidade de a empresa
gerar lucros acima da taxa normal, isto é, lucros que superem o custo de
oportunidade baseado no investimento inicial avaliado a valores de realização.
O conceito de valor de realização é adequado para um investimento que se
extingue, como o do exemplo. Valores de entrada são mais significativos para as
entidades em continuidade. Todavia, verificamos que existe uma conciliação
entre valores subjetivos (fluxos descontados) e valores de mercado. As taxas
utilizadas são apenas exemplos. No Brasil, deveriam ser bem mais altas se os
valores não estivessem expressos em moeda constante.
Vamos agora fazer uma apreciação dos
principais conceitos de avaliação para o ativo, dividindo-os em valores de
entrada e valores de saída.
7.4.2 Valores
de saída
Valores descontados das entradas líquidas
de caixa futuras. Este conceito ideal foi analisado inicialmente. É preciso
adicionar que este processo envolve não apenas o estabelecimento da taxa
adequada de juros, como também uma estimativa da probabilidade de receber os
valores previstos. Na prática atual tem sido utilizado, ás vezes, apenas no que
se refere aos itens monetários.
Preços correntes de venda. Quando o
produto da empresa for vendido em um mercado organizado, o preço corrente de
venda pode ser uma razoável aproximação do futuro preço de venda. Assim, este
método pode ser uma razoável aproximação para as entradas previstas de caixa
para ativos, tais como inventários de produtos para venda, produtos ou
co-produtos próximos do estágio final de acabamento. Se, todavia, não se espera
vender os produtos em curto lapso de tempo, seu preço atual deveria ser
adequadamente descontado ao valor atual. Se se esperam custos e despesas
adicionais de venda, tais itens deveriam ser deduzidos do valor de venda a fim de
obtermos uma avaliação correta. Este método é conhecido também como valor
realizável líquido. Tem limitações, pois não pode ser utilizado como conceito
geral de avaliação do ativo e, assim, avaliamos o ativo por meio de vários
conceitos, de acordo com o ativo avaliado. Além do mais, o preço corrente de
venda é o valor que está sendo pago pelo comprador marginal agora e não
representa, necessariamente, o valor que será pago no futuro, exceto se todas
as condições permanecerem constantes.
Equivalentes correntes de caixa. Este
conceito, proposto por Chambers para todos os ativos, representa o total de
dinheiro que poderia ser obtido vendendo cada ativo sob condições de liquidação
ordenada. É um conceito de difícil aplicação, pois excluiria do ativo todos os
itens que não tivessem um valor presente de mercado. Por exemplo, segundo
Hendriksen, equipamentos especializados não vendáveis, como a maior parte dos
ativos intangíveis, deveriam ser descarregados do ativo no ato da compra, pois
não teriam um preço corrente de mercado.
Valores de liquidação. Esta é a hipótese
extremada de valores de saída, porque presume uma venda forçada, tanto para
clientes normais a preços extremamente reduzidos, como para outras firmas, bem
abaixo do custo. Deveriam ser utilizados apenas quando mercadorias ou outros
ativos se tornarem obsoletos e quando a empresa não espera continuar o
empreendimento em futuro próximo; é, portanto, uma hipótese de descontinuidade.
7.4.3 Valores
de entrada
Considera-se que os valores de entrada são
mais adequados do que os valores de saída como base geral de avaliação do
ativo, pois podem representar o valor máximo para a empresa ou por que muitas
vezes não existe um mercado para valores de venda. Considera-se também que os
valores de entrada são mais “objetivos e não permitem o reconhecimento de
receita antes que seja “realizada’. Na verdade, as abordagens reais á avaliação
são muitas vezes ecléticas, misturando valores de entrada e de saída, embora
predominem, de fato, os de entrada, na prática atual.
Trataremos apenas das principais
alternativas baseadas em valores de entrada:
custo histórico, custo histórico corrigido
pelas variações do poder aquisitivo da moeda, custo corrente e custo corrente
corrigido pelas variações do poder aquisitivo da moeda. Lembramos apenas que os
valores de saída também poderiam ser corrigidos pelas variações do poder
aquisitivo da moeda.
Custo histórico
Tem sido tão tradicional a adoção desta
base de valor na Contabilidade, que esta tem sido freqüentemente confundida com
aquela. Assim, o Comitê de Terminologia do AICPA, em 1953, afirmava: “Desde que
a Contabilidade é predominantemente baseada no custo, as utilizações adequadas
da palavra valor, em Contabilidade, estão basicamente restritas à evidenciação
de itens ao custo ou ás modificações do custo.”
O AICPA
enfatizou a avaliação baseada no custo em diversas oportunidades e, em 1957,
afirmava: “Ativos não monetários, isto é, inventários, instalações,
investimentos de longo prazo e ativos diferidos não são adequados para uma
mensuração monetária acurada. Tais ativos são tipicamente evidenciados pelo
custo ou algum conceito derivado. Presumindo um mercado livre, o custo de
aquisição expresso no preço de barganha de um ativo é uma quantificação
satisfatória das expectativas de serviços futuros no momento da compra.”
Verifica-se, portanto, que uma das razões
mais fortes para a adoção do custo histórico é sua possível aderência, no
momento da aquisição, para expressar os potenciais de serviços futuros, para a
empresa, do ativo que está sendo adquirido. Por outro lado, na avaliação dos
ativos não monetários, é sua objetividade e verificabilidade o motivo de sua
adoção. Quando o que se dá em troca pela aquisição de um ativo consiste em um
ativo não monetário, o valor de troca é determinado por seu preço corrente.
Hendriksen reconhece que uma das mais fortes razões da adoção generalizada do
custo histórico tem sido sua estreita relação com o conceito de realização da
receita na mensuração do lucro. De fato, um lucro baseado em valores históricos
é totalmente realizado, tanto na parte operacional quanto na dos ganhos. Mas,
apesar de todas as vantagens, há muitas desvantagens, que se referem,
normalmente, ao fato do que o valor dos ativos muda com relação ao. tempo, não
somente em virtude das variações de preços, obsolescência etc., mas também em
virtude da mudança no estoque de potenciais de serviços de cada ativo. Não
permite, ainda, reconhecer perdas e ganhos quando real e economicamente
acontecem, mas somente quando são “realizados”.
Custos correntes (de reposição, na data)
Custos históricos e correntes são iguais
na data de compra de um ativo. Porém,
á medida que os preços mudam e a
tecnologia fica mais sofisticada, pode haver variações. Em sentido mais
rigoroso, custo corrente de um ativo, hoje, no estado em que se encontra, seria
o somatório dos custos correntes dos insumos contidos em um bem igual ao
originariamente adquirido menos sua depreciação. O custo corrente de um ativo,
procura, assim, representar a avaliação, a preços correntes, do mesmo ativo
adquirido há mais tempo. Quando a taxa de mudança tecnológica é acentuada em
determinado ramo, fica difícil reproduzir os valores correntes dos ativos assim
definidos, pois estes já se diferenciam sensivelmente dos antigos quanto ás
características técnicas e de produtividade. Todavia, desde que os novos ativos
prestam “serviços equivalentes” aos antigos, podem-se obter aproximações. Mas,
freqüentemente, o valor dos benefícios a serem obtidos com o novo ativo não é
igual ao custo corrente do ativo antigo.
Apesar de tais problemas de definição, o
custo corrente apresenta, na data da avaliação, uma série de vantagens sobre o
custo histórico e sobre outros conceitos:
1. Para
o usuário e investidor externo pode aproximar-se razoavelmente, com ajustes, do
valor que deveria pagar para montar uma fábrica igual (em estado novo) àquela
que está avaliando (se os ativos estiverem avaliados a custos correntes).
2. Por
outro lado, como o custo corrente representa, hoje, uma medida do valor de
compra dos ativos, quando amortizamos esses ativos para despesa, teremos uma
comparação mais adequada entre valores correntes de receita e despesa. É claro
que o poder aditivo dos ativos avaliados a custos históricos é muito menos
significativo do que se utilizarmos custos correntes. A não ser que se saiba
que não iremos substituir nossos ativos (devido, digamos, a uma queda na
demanda dos produtos produzidos por determinada máquina, ou em caso mais geral,
se tivermos mudado toda nossa orientação técnica de produção e, por isso, os
ativos atuais não mais continuarem no futuro), o custo corrente apresenta-se
como uma das mais promissoras formas de avaliação geral para o ativo.
Conceitualmente, ele é tão bom quanto o valor de saída (trata-se afinal de um
preço de mercado); para a empresa que está avaliando é talvez de mais prática
determinação. Se não existir um preço de mercado, a empresa tem um histórico
de insumos de custos muitas vezes suficiente para calcular o custo corrente dos
insumos contidos no ativo, ao passo que talvez não possuísse o histórico dos
preços de saída. Para o usuário externo é uma medida que aumenta o poder
preditivo do balanço, que melhor compara receita com despesa e representa uma
aproximação de quanto deveria desembolsar para obter uma empresa parecida com a
que está sendo avaliada. Considerando todos os pontos fracos e fortes e,
inclusive, levando-se em conta a gerência, que tem reconhecida preferência por
valores correntes (de reposição), pode-se concluir que o custo corrente de
reposição, na data, * como base de avaliação de ativo, seja, provavelmente, o
mais completo.
Custos históricos corrigidos pelas
variações do poder aquisitivo médio geral da moeda. Tem sido um critério
utilizado por muitos que, desejando aumentar o poder preditivo dos
demonstrativos, não queriam, por esta razão, se afastar em demasia dos
conceitos “geralmente aceitos”. Note-se que a avaliação a custos corrigidos
nada mais é do que uma restauração dos próprios custos históricos. Não se
pretende chegar a custos de reposição, mas apenas restabelecer os custos
incorridos em transações passadas em termos de poder aquisitivo da moeda de uma
data-base. O custo histórico corrigido apresenta a vantagem de ser de fácil
utilização e, além do mais, leva a uma avaliação do patrimônio líquido que
facilita as tomadas de decisões para manter o patrimônio pelo menos com a mesma
potencialidade, apesar das distribuições.~ Todavia, a principal limitação
consiste em a empresa, devido à estrutura de seus ativos e a seu posicionamento
no setor, com os concorrentes etc., experimentar, às vezes, uma taxa de perda
de poder aquisitivo de sua moeda diferente da média geral da economia. Assim,
deveríamos calcular uma “inflação da própria empresa”, o que também nos propõe
outros problemas. Apesar das limitações, a aplicação do conceito é muito
importante, pois tem-nos propiciado uma fonte de experiência muito grande com
correções. Não há dúvida de que os valores resultantes têm um potencial
informativo maior do que os custos históricos. Por outro lado, o conceito
favorece a comparação de ativos avaliados em datas distintas, pois,
freqüentemente, escolhe-se uma data-base comum para restauração dos custos
históricos. Em certas circunstâncias, quando sabemos, por exemplo, que
determinado ativo não vai mesmo ser reposto, o conceito do custo histórico
corrigido é melhor do que o próprio conceito de custo corrente. Um problema é
que não reconhece a existência de outros lucros ou ganhos que não os
estritamente “realizados”. O conceito tem sido o preferido em muitos países que
têm adotado correções parciais, em suas legislações, do princípio do custo
histórico.
Custo corrente corrigido pelas variações
do poder aquisitivo da moeda
É talvez o mais completo conceito de
avaliação de ativos a valores de entrada, pois combina as vantagens do custo
corrente com as do custo histórico corrigido. Os ativos são basicamente
avaliados em determinada data a valores correntes (de reposição). Em uma data
posterior, os ativos da mesma entidade são também avaliados a custos correntes
de reposição, naquela data. Embora em cada data os ativos representem a mais
razoável aproximação (levando-se em conta também a praticabilidade e a
objetividade) dos valores econômicos dos ativos (desde que tenhamos renunciado
aos fluxos descontados), estes podem não ser comparáveis nas duas datas, se
houver ocorrido no período variação do poder aquisitivo médio geral da moeda
(inflação ou deflação). Assim, para compararmos os ativos da data t0 com os da
data t1 (em termos de soma de valores) podemos tomar o valor corrente em t e
multiplicá-lo pelo coeficiente de variação geral de preços dado por: IGPT1
IIGPT0. O resultado será comparável, em poder aquisitivo, com o ativo avaliado
a custos correntes em t1.
7.5 O
CUSTEAMENTO DIRETO (VARIÁVEL) E SEUS REFLEXOS NA AVALIAÇÃO DO ATIVO
A utilização do custeio variável para uma
série de tomadas de decisões apresenta muitas vantagens, principalmente as que
se enquadram naquelas que consistem em alocar, da melhor forma possível, um
fator escasso de produção aos vários produtos, de maneira que obtenhamos a
combinação mais lucrativa. Todavia, no que se refere à avaliação dos ativos no
balanço e ao poder preditivo deste último, devemos afirmar que o custeio
variável diminui a representatividade do valor apropriado aos estoques (somente
se atribuem os custos variáveis) como expressando a potencialidade daqueles
ativos na geração de fluxos futuros de caixa. O grau de perda de
“preditibilidade” somente poderá ser amenizado se o investidor puder derivar
relacionamentos mais ou menos constantes entre o valor dos estoques
(subavaliados) e os fluxos de renda que gerarão. Este handicap negativo do
custeio variável não deveria ser motivo para não utilizá-lo, mas para reconhecer
as vantagens do custeio por absorção. Na verdade, precisamos utilizar os dois
conceitos. O custeio direto é mais relevante para finalidades gerenciais,
dentro de prazos mais curtos. O custeio por absorção apresenta, usualmente,
mais vantagens totais para os usuários externos
7.6 RESUMO
Na verdade, o ativo, sua conceituação e
avaliação configuram-se, talvez, como o capítulo mais importante da teoria
contábil, ao lado do capítulo de receitas, despesas, perdas e ganhos. É
extremamente relevante conceituar bem o ativo, em suas características básicas,
para evitarmos problemas futuros com a apreciação desse ou daquele elemento
especifico do ativo, desse ou daquele grupo. Muitos problemas na prática
contábil brasileira derivam de aceitarmos sem discussão classificações legais,
sem termos atentado para o significado intrínseco de cada ativo. As
interpretações atribuídas ao grupo pendente, fruto de nossa antiga Lei das
Sociedades Anônimas, eram as mais desencontradas possível. Na verdade, todo
ativo, seja um imobilizado, seja um direito a receber determinada proteção por
certo tempo, decorrente de um pagamento já realizado, ou um gasto ativado para
amortização futura para despesa, tem características gerais comuns,
independentemente de seu tipo especifico. A característica fundamental é sua
capacidade de prestar serviços futuros á entidade que os têm, individual ou
conjuntamente com outros ativos e fatores de produção, capazes de se
transformar, direta ou indiretamente, em fluxos líquidos de entradas de caixa. Todo
ativo representa, mediata ou imediatamente, direta ou indiretamente, uma
promessa futura de caixa. Quando falamos indiretamente, queremos referir-nos
aos ativos que não são vendidos como tais para realizarmos dinheiro, mas que
contribuem para o esforço de geração de produtos que mais tarde se trans formam
em disponível. Alguns ativos, como algumas despesas pagas antecipadamente e
gastos ativados em pesquisa e desenvolvimento, não são capazes de gerar fluxos
futuros de caixa, mas propiciam melhores condições para que a entidade, como um
todo, os gere ou que poupe saídas de caixa. Na mesma categoria enquadram-se as
despesas pré-operacionais a amortizar. Tais desembolsos criaram condições para
toda a entidade, ao entrar em seu período operacional, poder receber receitas.
Portanto, vários períodos serão beneficiados pelo gasto realizado em
determinado período, e não somente um. Assim, é muito importante entendermos a
conceituação íntima de ativo, para melhor podermos avaliá-lo.
No que se refere à avaliação, a forma que
conceitualmente mais se aproxima da natureza dos ativos seria sua mensuração a
valores atuais de fluxos descontados futuros de caixa. Entretanto, esta
metodologia, apesar de seus méritos conceituais e das luzes que insere na
questão do ativo, apresenta algumas dificuldades de ordem prática para poder
ser geralmente utilizada, na prática, no estágio atual.
Outros conceitos alternativos, de maior
praticabilidade, devem ser pesquisados, embora o de fluxo descontado possa ser
utilizado na prática em itens monetários. Assim, verificamos que existe uma
ponte de ligação entre os conceitos de fluxos descontados e os valores de
mercado, mormente de realização. Entretanto, os valores de realização não são
considerados os mais relevantes, para todo o ativo, em uma hipótese de
continuidade.10 Assim, uma aproximação deveria ser realizada com um conceito de
entrada dos quais analisamos os principais. É de se perguntar se a
Contabilidade deveria utilizar uma única conceituação de valor para avaliação
dos ativos ou se poderia utilizar várias conceituações para cada grupo de
ativos. A resposta é difícil de ser dada. A decisão deve residir em um
trade-off entre os métodos que melhor aproximam a avaliação da predição de
fluxos futuros de caixa á praticabilidade de tais mensurações, sua objetividade
e, também, ao pensamento firme de não transformar a avaliação de ativo em uma
colcha de retalhos de utilização de n conceitos diferentes. Em geral, como
abordagem à teoria contábil, somos favoráveis a posição de termos coragem de
adotar certa filosofia de valor que, reconhecida e comprovadamente, seja a
melhor no maior número possível de situações e de casos, aceitando aqueles em
que não seria a melhor como exceções ou casos a serem estudados. Para nós e
para muitos outros estudiosos, levando-se em conta todos os fatores como:
relevância, praticabilidade, objetividade, poder preditivo etc., o conceito de
custo corrente (de reposição) corrigido é o mais completo, na maior parte das
circunstâncias, e deveria ser adotado para a avaliação geral do ativo.
Obviamente, poder-se-ia admitir uma exceção no caso dos produtos destinados à
venda, que poderiam ser avaliados pelo valor realizável líquido e para os itens
monetários, que são valores numerários ou assemelhados, por sua própria
natureza. Poderia haver dificuldades na avaliação a custos correntes de ativos
como goodwill, certos ativos diferidos etc. Nesse caso, o conceito mais
próximo seria o custo histórico corrigido. Nosso ideal deveria ser o custo
corrente corrigido, adotando, entretanto, outra abordagem como atalho ou
aproximação a este ideal, com exceção de produtos e itens monetários. A
representação de produtos a seu custo de reposição (para fabricá-los), todavia,
poderá até ser aceitável como aproximação e para uniformidade, na premissa de
que a receita (e os valores de saída) seriam mais adequadamente reconhecidos
no ato da venda. Além do mais, o custo de reposição dos produtos pode
aproximar-se, ás vezes, do valor realizável líquido.
Mesmo que a prática venha aconselhar uma
conceituação mista para a avaliação dos ativos, levaremos muitas vantagens,
como contadores e investidores, se tivermos entendido bem o sentido profundo
do que vem a ser ativo e de suas formas principais de avaliação.