ARTIGOS 

 

 

Gentilmente cedidos por seus autores

 

 

  1. Ativo e Passivo Ambiental - Prof. Werno  Herckert - Contador

  2. Ativo Imaterial e Força Intelectual - Prof. Werno  Herckert

  3. A contabilidade em face do futuro e o neopatrimonialismo - Prof. Werno Herckert

  4. Influências Ambientais Exógenas - Prof. Werno  Herckert 

  5. A nova contribuição de intervenção no domínio econômico sobre tecnologia - Prof. Werno  Herckert 

  6. O Sistema da economicidade sob a ótica do neopatrimonialismo - Prof. Werno  Herckert 

  7. Sistema de liquidez sob a ótica do neopatrimonialismo - Prof. Werno  Herckert 

Artigos de professores da FEA/USP

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ATIVO E PASSIVO AMBIENTAL

Werno Herckert

Contador

 

Cresce a nível mundial a preocupação com a riqueza das células sociais em relação ao meio ambiente natural. Tanto é que se criou a Contabilidade Ambiental algumas vezes chamada também Contabilidade dos Recursos ou Contabilidade Econômica e Ambiental Integrada. Isto graças ao apoio generoso da Fundação C. S. Mott, de Flint, Michigan, Estados Unidos.

 

FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E O MEIO AMBIENTE

No início do século Eugen Schmalenbach expoente da doutrina reditualista na Alemanha manifestou em sua teoria dinâmica da riqueza a preocupação com o social. Entendeu ele que a formação do rédito não depende só da azienda, mas da influência do ambiente externo onde a mesma está inserida.

Também Rudolf Dietrich aziendalista socialista da Alemanha defendeu que a azienda deveria estar a serviço da sociedade, produzindo, empregando e fortalecendo o Estado. Mas para que isto ocorresse dizia que a comunidade também deveria contribuir para com o fortalecimento da azienda.

E mais recente o Prof. Lopes de Sá em sua Teoria das Funções Sistemáticas abriu caminho para uma estrutura de doutrina competente volvida ao ambiental. Com a preocupação básica da eficácia do fenômeno patrimonial e a eficácia do fenômeno ambiental natural.

Ensina o Prof. Lopes de Sá: "Tal conciliação das duas eficácias, é uma nova ótica que a doutrina contábil não havia ainda considerado até há pouco tempo, mas, imprescindível para o desenvolvimento de uma Contabilidade aplicada ao Meio Ambiente".

Toda célula social tem uma função social e tem obrigação de não poluir o ambiente natural onde ela está localizada (espacialidade). Poluindo está prejudicando a comunidade e a natureza.

O patrimônio da célula social influência e é influenciada pelo meio ambiente natural.

E sobre esta matéria escreve o Prof. Lopes de Sá: "Parece-me axiomático que: "O entorno ecológico transforma-se com o transformar da riqueza das células sociais e a riqueza das células sociais se transforma com o transformar do entorno ecológico".

Ou seja, portanto: "há uma inequívoca interação transformadora entre o ambiente natural e o patrimônio das células sociais.

Ou ainda, que o patrimônio, quer o ambiente natural, sujeitam-se às leis supremas da transformação e as de um regime de "inteiração".

Ainda ensina o Prof. Lopes de Sá: "O papel da empresa vai, cada vez mais, transcendendo limites meramente privados e só esse caminho, realmente, no próximo milênio, ensejará maior equilíbrio entre o capital e o humano coletivo.

Não se pode anular o empreendimento individual, nem tirar-lhe o objetivo do lucro, mas, é preciso que dele se exija o exercício de uma consciência volvida para o ambiente que permite, inclusive, a existência das atividades lucrativas.

A empresa deve contribuir, precisa investir em preservações ambientais, mas, também, necessário se faz que os Poderes Públicos incentivam e compreendam esta tendência.

Tudo deve convergir para o objetivo maior e que é o da sobrevivência da espécie humana sobre a terra".

 

ORIGEM E APLICAÇÃO DE RECURSOS NO MEIO AMBIENTE

Segundo o Prof. Milton A Walter: "Os recursos financeiros necessários à atividade econômica das empresas são originadas de fontes internas e externas.

As fontes externas abrangem todas as obrigações assumidas pela empresa. Denomina-se Passivo Exigível.

As fontes internas correspondem ao capital acumulado dos proprietários da empresa. São conhecidos por Capital Próprio ou Patrimônio Líquido.

Os recursos procedentes de fontes internas e externas são aplicados em bens e direitos que compõem o Ativo".

A empresa deve gerar recursos para investir na recuperação daquilo que ela utilizou da natureza.

Há empresas que poluem e destroem mais a natureza que outras.

A que mais polui deve pagar mais a que menos polui deve pagar menos. Isto é obvio.

Um fábrica de papel precisa de madeira. Esta deve aplicar recursos em reflorestamento.

Uma indústria de cimento deve ter recursos para investir em chaminés despoluentes.

Um posto de gasolina que faz lavagens de carros, troca de óleo, etc. deve construir açudes de decantação para evitar a poluição de derivados de petróleo nos riachos, rios, etc.

A empresa deve criar contas que geram recursos. Este recursos devem ser aplicados na recuperação da natureza.

Deve-se criar modelos eficazes de harmonia entre o patrimônio da empresa, o social e a natureza.

 

LUCRO E O MEIO AMBIENTE

Objetivo básico da empresa é a geração de lucro. Esta foi o pensamento de algumas escolas da contabilidade.

Na doutrina Reditualista Eugen Schmalembach deu prioridade ao rédito mais que ao patrimônio. Entendeu ele que o sucesso ou insucesso da empresa depende dos lucros que ela possa gerar ou não.

Afirmava ele que a conta Lucros e Perdas é que era essencial e que determinava o conteúdo do Balanço.

Fredrich Leitner pregava a maximinização do lucro como objeto de estudos.

Também defendia a compra ao mais baixo preço e a venda ao mais alto preço possível.

Zappa do azendalismo, também, atribuiu extrema importância ao rédito. Mas de uma forma peculiar.

"Admite que não só o capital é fonte de rédito: sobrepõe-se a ele a inteligência diretiva e o montante de forças, aptas a cumprirem o trabalho por meio do qual a autoridade eminente consegue a materialização dos fins que justificam a própria existência da azienda". (Ver mais detalhes em História Geral e das Doutrinas da Contabilidade do Prof. Lopes de Sá)

Segundo o Prof. Lopes de Sá: "O rédito é um fenômeno que provém da ação humana, da natureza, do capital, pois muitos são os fatos endógenos e exógenos que influem sobre o capital é inequívoco, mas para o patrimonialismo ele é um fenômeno do capital".

Ainda diz: "O fenômeno do rédito acontece quando o capital (aqui entendido como todo o patrimônio da empresa), volvido à obtenção da finalidade lucrativa, varia, por efeito de sua movimentação em decorrência da atividade desenvolvida para a utilização do mesmo". (pg.205)

A empresa pode ter lucros e gerar desemprego, poluir o ambiente, etc.

Segundo o Prof. César Kroetz: "Podemos ter um balanço patrimonial que apresente elevados resultados, mas que comparado como o balanço social demonstre atitudes negativas por parte da empresa, as quais mascaram o lucro auferido, ou seja, pode uma industria ter lucro contábil, mas a forma de geração do resultado é altamente prejudicial ao meio ambiente".

Outra pode ter prejuízo mas ter um excelente desempenho social com o pessoal investindo em qualidade de vida de seus funcionários, na capacitação funcional, na contribuição de instituições não lucrativas que beneficiam a comunidade, na preservação do meio ambiente natural.

É relevante a observação e analise destes fatos.

A partir daí questiona-se sobre a conceituação do lucro(resultado ou resultabilidade). Pois passa a ser relativo quando feito comparações com modelos de gestão.

O uso do capital não pode prejudicar a vida das pessoas, dos seres, da natureza enfim nem no presente nem no futuro.

E sobre isto ensina o Prof. Lopes de Sá: "Estamos diante de um processo de degradação dos níveis de vida naturais que podem, em breve tempo, inviabilizar a existência do homem sobre a terra, se prosseguirem as agressões ambientais".

Ainda, segundo Leonardo Boff: "Cuidado todo especial merece nosso planeta Terra. Temos unicamente ele para viver e morar. É um sistema de sistemas e superorganismo de complexo equilíbrio, urdido ao logo de milhões e milhões de anos. Por causa do assalto predador do processo industrialista dos últimos séculos esse equilíbrio está prestes a romper-se em cadeia. Desde o começo da industrialização, no século XVIII, a população mundial cresceu 8 vezes, consumindo mais e mais recursos naturais; somente a produção, baseada na exploração da natureza, cresceu mais de cem vezes. O agravamento deste quadro com a mundialização do acelerado processo produtivo faz aumentar a ameaça e, conseqüentemente, a necessidade de um cuidado especial com o futuro da Terra".

O uso inadequado dos recursos naturais vem prejudicando seriamente o equilíbrio da natureza.

Há uma séria ameaça de contaminação da água a nível mundial.

Há sérias ameaças de extinção de várias espécies de arvores, de animais, de peixes, de aves, inclusive do tubarão.

Cada empresa deve procurar modelos de eficácia na aplicação de seus recursos sem prejudicar o meio ambiente.

Urgente se faz em reverter este quadro de destruição pelo uso inadequado dos recursos naturais.

É importante a coscientização a nível mundial da necessidade urgente do cuidado ao planeta terra. É nossa casa. Esta precisa de uma reorganização.

 

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NATURAL

Cresce a importância das auditorias nas grandes células sociais para avaliar os custos ambientais presentes e futuros.

Cresce a importância da Contabilidade Social e Ambiental.

Cresce os investimentos das células sociais na recuperação e preservação ambiental.

O Ativo e o passivo ambiental não pode ser mais ignorado.

Conforme a professora de economia da UFRJ, Dália Maimon: "O passivo ambiental é avaliado mediante auditoria especializada nas unidades produtivas da empresa, identificado as não conformidade com os requisitos legais e com sua política ambiental.

Em seguida, faz-se a avaliação da área contaminada para que finalmente as soluções sejam valorizadas monetariamente".

Ainda segundo a professora referida: "As três principais categorias de custos que compõe o passivo ambiental são: (1) Multas, taxas e impostos a serem pagos face a inobservância de requisitos legais; (2) Custos de implantação de procedimentos e tecnologias que possibilitam o atendimento às não conformidades; (3) Dispêndios necessários à recuperação da área degradada e indenização à população afetada".

Segundo o Eng. Agrônomo Pedro Pereira Guedes com mestrado em Agronegócios: "Este conjunto de mensurações torna complicada a avaliação da degradação ambiental face a dificuldade de estipular critérios objetivos de análise, como na determinação dos efeitos da poluição atmosférica e hídrica causada pela empresa.

Para contornar o problema, sugere, o Eng. Agrônomo a criação de indicadores regionais e setoriais de desempenho ambiental que auxiliam no cálculo do custo ambiental".

É complexo a criação de critérios de avaliação da poluição ambiental. Mas necessário.

Cada município deve criar seus critérios de avaliação dos danos a natureza pela empresa.

Avaliar a poluição da atmosfera feita por uma empresa é difícil. Como avaliar esta poluição? Qual o critério a ser adotado. E na poluição hídrica? Na contaminação ambiental por vazamento de energia nuclear? Na contaminação dos rios por venenos aplicados na agricultura? Na contaminação da água potável? Na origem de doenças geradas por poluição ambiental?

 

EXAUSTÃO DE RECURSOS NATURAIS

Segundo Nelson Gouveia: "O método para calcular a exaustão de recursos minerais ou florestais é idêntica ao método de depreciação pela estimativa de produção. Consiste em obter o valor da exaustão por unidade, e multiplica-lo pela quantidade extraída em cada ano, até a exaustão total dos recursos. A vida útil, no caso de recursos minerais e florestais, é determinado pela estimativa de unidades de produção que serão extraídos dessa fontes.

Exemplificando, suponhamos uma jazida do minério Z adquirida por $ 100.000,00, sendo estimada sua capacidade em 800.000 toneladas (vida útil).

O valor de exaustão de cada tonelada será:

$ 100.000 = $ 0,125 por tonelada

  800.000 t

Supondo que no primeiro ano sejam extraídas 200.000 toneladas de minério, o valor da exaustão desse ano seria de $ 25.000 (200.000 t x $ 0,125).

Sendo extraídas 120.000 toneladas no segundo ano, a exaustão será de $ 15.000. Quando a jazida estiver completamente esgotada, o valor da exaustão total corresponderá ao custo histórico da jazida". (pg. 289 Contabilidade).

A exaustão dos recursos naturais vai prejudicar o meio ambiente como também a empresa que faz uso destes recursos como matéria prima.

Com a escassez de matéria prima utilizada pela empresa ela gerará ineficácia por não satisfazer suas necessidades e também como isto gerará ineficácia no meio ambiente por exaurir os recursos naturais.

Uma empresa de celulose que não gerar recursos para reflorestamento chegará um ponto que não haverá mais arvores para ser utilizada como matéria prima.

Uma fábrica de palitos que não repor as arvores cortadas terá sua produção seriamente afetada, gerando ineficácia patrimonial como também ineficácia ambiental.

A indústria do pescado deve fazer com que não haja desequilíbrio na reprodução dos peixes. Caso contrário terá ineficácia dos meios patrimoniais.

O progresso que todos desejam deve ser feito com uso racional do meio ambiente natural devolvendo ao mesmo aquilo que for tirado.

 

Conclusão

E a contabilidade segundo Henri Fayol: "O órgão de visão das empresas. Deve revelar, a qualquer momento, a posição e o rumo do negócio. Deve dar informações exatas, claras e precisas sobre a situação econômica da empresa".

A contabilidade não pode ficar fechada a escrituração e mensurações quantitativas do patrimônio da empresa. Ela deve estar aberta a evolução tecnológica e as mudanças rápidas do mundo moderno. Estar presente na luta pela preservação ambiental natural. Criando modelos contábeis eficazes e orientado o empresário na aplicação destes modelos para satisfazer as necessidades da riqueza da empresa com eficácia e também satisfazer com eficácia as necessidades do meio ambiente natural.

Também, ensina Prof. Lopes de Sá: "Pouco adianta, para fins humanos, que estejamos a apenas demonstrar que se investiu tanto ou quanto na solução de problemas ecológicos ou em interesses sociais, se não conhecemos, pela reflexão, as bases lógicas de uma interação entre a célula e os seus entornos , entre a empresa e o meio em que vive., entre a instituição e a sociedade".

Esta interação é uma preocupação do Neopatrimonialismo que tem uma visão holística.

 

BIBLIOGRAFIA

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ATIVO IMATERIAL E FORÇA INTELECTUAL

WERNO HERCKERT

INTRODUÇÃO

Alguns assuntos tornam-se ultimamente relevantes nas publicações contábeis dedicadas à gestão patrimonial, tais como os relativos à globalização, mudanças rápidas da tecnologia, informática, telemática, educação continuada, maximização da satisfação do cliente, tudo volvido a um aperfeiçoamento da qualidade, envolvendo, inclusive e relevantemente, fatores imateriais. Embora tais assuntos não sejam de todo novidade, alguns aspectos evolutivos ocorrem quanto a quantificação de elementos, antes apenas acenada e agora enfocada com mais objetividade. Valores não mensurados nos Balanços tradicionais, evidenciam a necessidade de destacar com maior objetividade a existência de uma riqueza intelectual, despertando maior preocupação aos estudiosos e encontrando um tratamento científico de rara qualidade na corrente neopatrimonialista. Cresce o interesse em quantificar os agentes das transformações da riqueza e também o de conhecer a influência destes na dinâmica do capital, inclusive em que limites essa influência se opera, em face do que deveras afeta as situações de eficácia ou ineficácia.

 

INFLUÊNCIA INTELECTUAL LEVA À EFICÁCIA OU INEFICÁCIA PATRIMONIAL

A capacidade intelectual leva ao aumento do patrimônio. A incapacidade intelectual leva à estagnação patrimonial e até à falência da empresa.

Para ilustrar estas duas afirmações vejamos duas realidades:

lº. A empresa A iniciou-se pequena. Em virtude da capacidade intelectual, conhecimento, competência e experiência do empresário a mesma foi tendo eficácia patrimonial e com o passar dos anos foi prosperando e influenciando o mercado onde a mesma estava inserida. O crescimento da empresa resultou não só na sua prosperidade, mas, também naquela da comunidade global, pois ocorreu um incremento na exportação de máquinas, quer no mercado interno, quer externo.

2o. Caso: A empresa B iniciou-se pequena e pequena ficou. Em virtude de sua incapacidade intelectual, falta de criatividade, falta de conhecimento gerencial, a mesma não prosperou.

Analisando os dois exemplos, concluímos que a la. empresa prosperou, pela eficácia intelectiva de sua direção enquanto que a 2a. não o fez pela ineficácia intelectiva de seu dirigente. O fator intelectual foi importante e fundamental no l. caso. Influenciou o patrimônio e este teve eficácia. Assim como o valor intelectual pode produzir riqueza a riqueza pode produzir captação de valor intelectual. O fator intelectual pode criar tanto eficácia quanto ineficácia patrimonial.

Existe uma inequívoca relação entre o valor intelectual (este como agente) e os meios patrimoniais.

O que importa, nesta relação, é o conhecimento dos limites de natureza lógica, ou seja até que ponto cada agente tem condições de exercer a sua preponderância.

Ainda sobre o l. caso constatamos que a empresa por ter capital humano de conhecimento, competência e experiência desenvolveu o capital estrutural e o capital cliente. Houve portanto uma influência positiva por parte do valor intelectual no interior da empresa.

 

INFLUÊNCIA INTELECTUAL ENDÓGENA

Cada vez mais se intensifica o estudo sobre a influência intelectual interna como uma força que movimenta o patrimônio com repercussão no mercado.

Na Física, existe um estudo sobre a força que atua sobre um corpo quando este executa um movimento, oferecendo meios de mensuração. Analogamente, em Contabilidade, devemos considerar que também existe um movimento que resulta na transformação do meio patrimonial em si.

A contabilidade tradicional não se preocupa com a força intelectual que atua sobre a riqueza, mas, sim, especificamente, com o patrimônio da empresa, sem, todavia, desconhecer a natureza da ação ambiental promovida pelos agentes. O Prof. Lopes de Sá com competência ensina: "O patrimônio imaterial das empresas é um resultado do aumento de funções do próprio capital material e dos agentes que sobre o mesmo atuam para dinamiza-lo e aumentar-lhe a capacidade de utilidade ou eficácia. Segundo a visão neopatrimonialista não se trata essencialmente de um maior valor do capital, mas, sim, de uma maior função da riqueza sob a ação de relações basicamente ambientais e que se pode mensurar quando se procura traduzir tais elementos em valores. Seja a mensuração espontânea, seja em decorrência de fatos que defluem de novas associações ou cessões do capital, seja previa ou com projeção futura, o que se objetivará, sempre, será a expressão de potencialidades formadas em decorrência de ampliações de funções, quer por efeitos internos, quer externos".

A dinamização do patrimônio por influências ambientais endógenas vai criar os intangíveis como o conceito no mercado, bons clientes, marca de comércio, etc. Estes ativos intangíveis, em algumas células sociais, são bens mais importantes do que os bens físicos. O que está se destacando é o bem do conhecimento. Isto quer dizer as novas fórmulas e receitas de uma mentalidade inovadora no interior da empresa. A preocupação dos estudiosos é encontrar forma realista para mensura-la.

 

MENSURAÇÃO DOS INTANGÍVEIS

Tem aumentado o interesse, por parte dos estudiosos, em que se quantifique a riqueza imaterial. Há uma crescente crítica aos demonstrativos patrimoniais tradicionais, por não evidenciar os intangíveis. Afirmam, já há tempo, os estudiosos que não se pode observar só os bens físicos. É necessário, também, incluir o intelectual e a riqueza imaterial para se ter uma real situação patrimonial da empresa. Há uma discrepância entre o valor de mercado e o que esta registrado nos livros. Serrano Cinca e Garcia assim se expressam sobre o assunto: "La información que hoy interesa a la gerencia de la empresa y que no está suficientemente reflejada en los balances y documentos contables tradicionales, se refiere a actividades de investicación y desarollo, recursos humanos, cambios en los recursos e processo productivos, capacidad de innovación y valor que aportan los productos para el consumidor". E propõem: "Nosotros proponemos que los activos intagibles se valoren de la forma más objetiva posible. Una ves valorados, la propuesta más audaz es tratarlos contablemente como activos físicos, es decir como activos que se amortizan. Ignoralos o contabilizarlos como gastos provoca distorsiones en los beneficios y hace que las empresas com mayor innovación presentem balances más pobres. Ademas, el coste histórico no es apropiado para estos activos intagibles: incluso los que ya se contabilizan, como las patentes, marca o franquias deberían reflejar valor potencial o de mercado".

Também Vinegla e Gasset afirmam: "actualmente en la sociedad de la información, tanto el capital intelectual como otros factores de naturaleza intangible tienen enncluso más valor que, por ejemplo, el próprio inmobilizado, razón suficiente que permitan de alguma manera valoralos".

Os estudiosos criticam o Balanço patrimonial como ultrapassado quando não há menção aos intangíveis. O mesmo não espelha a realidade do patrimônio em seu dinamismo. Os intangíveis são riquezas que fazem parte da empresa e há uma tendência futura de valoriza-los mais que o próprio imobilizado.

Para isso, entretanto é necessário primeiro entender quais são os componentes da riqueza intelectual.

Nos diz Irach: "La noción del capital intelectual es en si una extensión de esta idea de capital humano. El capital intelectual puede ser definido como el conocimiento, las habilidades, experiencia, intuición a actitudes de la fuerza laboral".

E segundo Skyrme: "an increasingly popular classification divides intellectual assets into three categories:

Human Capital - that in the minds of individual knowledge, competences, experience, know-how etc.

Structural Capital - "that which in left employees go home for night": processes, information , databases etc.

Customer Capital - customer relationship, brands, trade marks etc.

Esta classificação na contabilidade tradicional não se informa nem se mensura. O intelectual é um imaterial que atua sobre a riqueza como agente propulsor. É uma força que empurra algo para frente. É uma força transformadora da riqueza de rara importância na dinâmica do patrimônio das células sociais. Esta transformação da riqueza é que interessa à contabilidade, como objeto de estudos.

 

O INTELECTUAL E O MOVIMENTO

O movimento do meio patrimonial é motivado por influencias ambientais endógenas e exógenas. As influências ambientais endógenas sobre o patrimônio são internas e, advém da direção ou do pessoal. As influências ambientais exógenas advém do mercado, do poder público, do fator climático, da energia elétrica, do câmbio, etc. A influência ambiental endógena, é competente para anular influências ambientais exógenas que podem prejudicar a eficácia patrimonial. O estudo desta relação é de suma importância para se conhecer melhor o fenômeno patrimonial.

 

INFLUÊNCIA DO INTELECTUAL SOBRE O FENÔMENO PATRIMONIAL

Segundo o Prof. Lopes de Sá: ‘O exame objetivo do fenômeno contábil nos mostra que ele decorre de todo um conjunto de eventos, ou seja, de um complexo de ocorrências, em regime de interação constantes".

De acordo com o raciocínio do Prof. Nepomuceno extraído de seu artigo Ambientais Filosóficas temos: "A significação de fenômeno apreendido, neste caso, tem o sentido de ocorrência, de modificação do estado A para o estado B, devido a ação de agentes externos. O fenômeno possui, pois, uma dinâmica (kinesis) que lhe altera o seu caráter próprio, a sua intimidade. Portanto, dessa forma, o fenômeno é compreendido como algo físico, pertencente ao mundo vivido, ao mundo da percepção sensível (coisa corpórea)".

Também, Vincenzo Masi em 1924, lecionou sobre o assunto assim se expressando: "Se examinarmos os fenômenos fundamentais de Contabilidade , não podemos deixar de reconhecer que eles requerem indagações acuradas; não se pode negar que se torna necessário observá-los, expô-los; depois, munidos dos ensinamentos oferecidos pelas pesquisas feitas como o subsídio de métodos especiais de investigação, próprios das ciências experimentais, daí retirar normas de prática aplicação a casos concretos. Ora, os fenômenos dos custos, das receitas, do rédito, das entradas e saídas financeiras, para lembrar só alguns dos mais evidentes fenômenos contábeis já por nós referidos, são todos investigados em sua fase de constituição e de evolução e apresentam problemas que sempre se apresentaram e sempre apresentarão".

Já, Masi, ao estruturar o Patrimonialismo ensinava que: "a preocupação deve centrar-se em fenômenos e não em instrumentos que evidenciam esses mesmos fenômenos, e, em razão desses, preferencialmente no critério intuitivo".(Pg. 141). Centrou suas reflexões no fenômeno patrimonial e desenvolveu uma monumental obra na contabilidade científica.

Garnier na França, na década de 30, já mencionou em seus trabalhos o fenômeno patrimonial. Ensinava ele que: "a arte de registrar é diferente da técnica de entender o que se registra e fala de uma economia de empresa".

Hilário Franco, na década de 50, ensinou: "...que o fenômeno patrimonial que ser considerado sob a ótica do homem e não dos números apenas, pois esses eram suas quantificações apenas e estas não surgiam porque as grandezas tivessem sempre as mesmas relações lógicas, mas porque sofriam efeitos distintos e quantificáveis provenientes de fatos humanos".

Na década de 90, o Prof. Lopes de Sá fundou o Neopatrimonialismo com uma estrutura holística e com a preocupação sobre o fenômeno contábil. E com admirável capacidade e competência vem desenvolvendo a reflexão sobre o fenômeno patrimonial. Nesta interação de influências se cria novas teorias. Assim, hoje, há uma preocupação em refletir sobre as influências que o intelecto exerce sobre o fenômeno contábil.

A relação entre a força intelectual e os fenômenos patrimoniais é bastante forte e pode dinamizar o fenômeno contábil e as ocorrências dos fenômenos serão mais rápidas e eficazes. A qualidade do intelecto humano vai determinar a eficácia ou ineficácia do fenômeno patrimonial. Da capacidade dos dirigentes em decidir e comandar e daquela dos funcionários em executar, dependerá sempre a maior probalidade de acerto e de eficácia nos negócios.

 

A DINÂMICA DO MEIO PATRIMONIAL POR INFLUÊNCIA INTELECTUAL

Assim como para um corpo movimentar-se é preciso que haja a atuação de uma força, também o meio patrimonial se movimenta por ação de funções e que representam a dinâmica do mesmo, sob a influência de elementos, quase todos ambientais.. A influência exógena do mercado é comparável a uma força que atua para intensificar ou diminuir a dinâmica do meio patrimonial. Assim também o fator intelectual é comparável a uma força que atua sobre o meio contábil. A influência intelectual pode levar o meio patrimonial a ser dinâmico ou estático. O meio estático cria ociosidade por falta de função e assim inutilidade do meio patrimonial.

A lei da aceleração na física faz com que aumente a velocidade de um corpo. Assim, também devemos intensificar o giro do meio patrimonial: quanto mais rápido este giro maior será o resultado e mais rápido ele cumpre a sua função . Todo meio patrimonial tem uma função de utilidade cuja função terá maior dinamismo quanto mais acelerado for. A influência intelectual neste caso é fundamental para criar dinamismo no meio patrimonial. Um diretor que tenha conhecimento de gerenciamento fará funcionar melhor a dinâmica do capital do que aquela que não tenha este conhecimento. Veja o exemplo das duas pequenas empresa que iniciaram praticamente na mesma época. Uma tornou-se uma grande empresa e a outra ficou estagnada com o passar dos anos . Na 1a. a influência do conhecimento e outros fatores levaram a mesma a ser dinâmica e influenciar o ambiente onde estava inserida, criando, também, uma dinâmica de mercado, influindo de uma forma positiva em toda uma comunidade. Esta comunidade cresceu por influência da dinâmica patrimonial da empresa, pois a mesma, com sua prosperidade, criou mais empregos, mais bem estar, mais renda, etc., etc...

Uma empresa pode ter mais bens intangíveis do que bens tangíveis. Segundo o Prof. Lopes de Sá : "Existem empresas que valem mais pela força de seus intangíveis que mesmo pela dos elementos corpóreos, como são muitos do ramo de informática e outras de altas especializações cientificas e de prestação de serviços,. Onde não se pode desprezar uma avaliação, como riqueza efetiva, o que possuem de imaterial".

Um patrimônio não se pode valorizar pelo que consta no demonstrativo tradicional, pois os mesmos não espelham a realidade patrimonial. Quando o balanço for publicado o patrimônio da célula social já não é o mesmo, isto, por influências ambientais.

Em conclusão, é possível admitir que não levará muito tempo para que a expressão quantitativa do patrimônio intangível venha a ser uma obrigação. Muito ajudará a compreensão do efetivo valor do capital, como afirmou, D’Auria , há mais de meio século, conhecer todos os seus potenciais. A questão não é só da célula em si, mas, de todos o conjunto social. Através da metodologia Neopatrimonialista, é possível abrir, com maior velocidade, esses portais, porque a doutrina lopesista é holística em seu conteúdo.

 

 

BIBLIOGRAFIA

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A CONTABILIDADE EM FACE DO FUTURO E O NEOPATRIMONIALISMO

Werno Herckert

A modificação dos conceitos em Contabilidade é uma exigência da prática e da teoria, em nossos dias . Os motivos que movem essa modificação de óticas encontra-se na velocidade com que as decisões se operam e que influem sobre as modificações cada vez maiores dos ambientes que agem sobre a riqueza das empresas . Nem os aspectos legais e nem os de propriedade fechada são os que inspiram a Contabilidade verdadeiramente moderna . O Neopatrimonialismo é a nova corrente doutrinária que hoje traça cientificamente os destinos desse milenar conhecimento e a filosofia lopesista a que inspira essa nova tendência .

 

MEIO PATRIMONIAL E INFLUÊNCIAS AMBIENTAIS ENDÓGENAS E EXÓGENAS

Na atualidade, toda célula social, deve adaptar-se às mudanças rápidas do mercado , às novas tecnologias, às alterações constantes das leis, da política financeira e cambial, em suma, a uma série de alterações que se operam em muitas coisas .

A Contabilidade, como ciência da riqueza da referida célula social, precisa acompanhar essas mudanças.

São as influências ambientais exógenas as que modificam a dinâmica dos meios patrimoniais, sendo provenientes do mundo exterior à célula, mas, agindo quer direta quer indiretamente sobre ela .

Tais câmbios de estados, de natureza externa mais distante, vão influenciando a forma de administrar a empresa , por tangerem os meios patrimoniais .

Outras influências, também ambientais, provenientes de elementos externos, porém mais próximos, derivados da administração e do pessoal, sendo internos na célula, são igualmente influências ambientais, mas, endógenas.

É importante o estudo e a análise dessas influências ambientais internas e externas (endógenas e exógenas) porque são forças inequívocas que fazem movimentar o patrimônio.

As referidas influências são, também, as que determinam a ocorrência das eficácias ou ineficácias, gerando-se, em defluência de fenômenos patrimoniais, matéria esta que é a fundamental da ciência contábil.

É importante, pois, o estudo da dinâmica do meio patrimonial, sob tais óticas.

Esta movimentação constante, é que enseja o cumprimento ou não dos objetivos da célula social .

MEIO PATRIMONIAL E A EFICÁCIA

A função do meio patrimonial é o exercício da riqueza, sendo volvida à satisfação da necessidade. Quando ocorre a satisfação da necessidade há eficácia e quando esta não ocorre, há ineficácia.

Segundo o Prof. Lopes de Sá: "O meio patrimonial terá eficácia se, e, somente se, satisfazer a necessidade".

Assim, por exemplo, se o dono de uma Loja de Confecções observa que tem um estoque de camisas e que necessita vende-lo, para ter meios de pagamentos (dinheiro) em caixa (necessidade) procura realizar as vendas fazendo "girar" o que tem como objeto de seus negócios (fenômeno circulatório).

Colocadas as camisas cumpre uma etapa de trabalho e satisfaz a necessidade pertinente.

No exemplo referido ocorreu, pois, a eficácia. Todavia, de posse dos meios líquidos de pagamento (dinheiro) , volta a ter necessidades, por decorrência, ou seja a de comprar mais camisas para voltar a vender as mesmas (fenômeno circulatório) .

Há um renovar constante de necessidades e uma meta igualmente constante de conseguir-se a eficácia, como satisfação do que se precisa .

Esse movimento permanente de necessidades e da satisfação delas é a que enseja a dinâmica natural da eficácia .

Contabilmente, o objetivo de nossas análises deve centrar-se nessas ocorrências porque representam a essência dos fatos .

 

O MEIO PATRIMONIAL E A INEFICÁCIA

O meio patrimonial, se não satisfazer a necessidade, será ineficaz.

Admitamos alguns fatos hipotéticos, para o estudo de um caso ou seja o de uma empresa, que em um determinado lugar ou cidade ( espacialidade) e em um determinado tempo (temporalidade) defronta-se com a queda do poder de compra dos consumidores de seus produtos .

Haverá, nesse caso, uma retração de consumo que é um fato econômico. O estudo deste acontecimento interessa a Economia. A ciência econômica é que estuda os fenômenos de mercado . Esta influência ambiental exógena, exemplificada, causará, todavia, ociosidade nos meios patrimoniais daquela empresa hipotetizada.

Quando a ocorrência atinge a célula social, em seu patrimônio, o fenômeno já tem características próprias e que como afirmou Aristóteles, em sua Política, já não pertencem ao estudo da Economia .

Já não se trata, pois, de um fenômeno econômico, para os contadores, mas, de uma influencia que proveniente de algo externo, atingiu a riqueza interna da célula social e que a empresa, promovendo efeitos específicos .

Uma coisa é o que ocorre no mercado em geral e outra o que ocorre dentro de um negócio particular .

A Contabilidade estuda a riqueza particularizada e as pressões externas se analisam pelos efeitos que causam, sem preocupação de conhecer as causas gerais, mas, sim as próprias da empresa .

No exemplo, a ociosidade dos estoques que não se vendem, provocará perda de função ou de utilidade, criando-se assim a ineficácia.

Toda ineficácia concorre para o declínio funcional da célula social. A ineficácia constante dos meios patrimoniais pode causar a deterioração da capacidade funcional da empresa e até conduzi-la à falência.

Tomemos o exemplo de uma empresa de revenda de automóveis e peças que tenha falido. Ao observarmos as causas do desequilíbrio da riqueza poderemos, por exemplo, detectar que o principal motivo tenha sido o da ineficácia de pagamentos a fornecedores, causada por desvio de capital de giro .

A falência, entretanto, não abala só a célula, mas, também a sociedade onde ela se insere . Se empregados, de um momento para outro, perdem seus empregos, a comunidade de uma forma ou de outra termina prejudicada. A empresa como célula viva social tem um desempenho, e, sua morte, acarreta desequilíbrios .

À Contabilidade interessa, todavia, o que sucede com a célula, em si, em face de sua riqueza, mas, não pode desconhecer as influencias sociais e econômicas que decorrem .

 

ESTÁTICA E DINÂMICA PATRIMONIAL NA MODERNIDADE

A estática patrimonial examina o meio ou riqueza em seus estados estruturais e de equilíbrio pertinentes, enquanto, a dinâmica, tem como escopo, o movimento.

Para Masi, a "Estática Patrimonial objetiva a estrutura do grande sistema da riqueza aziendal e a Dinâmica Patrimonial a movimentação desta estrutura quer sob o aspecto da qualidade dos elementos, quer sob o de suas expressões em valor (qualitativo e quantitativo), sendo o Levantamento Patrimonial a informação racional que permite ter informação sobre tais relações e aspectos, mas de maneira científica."

Masi nos diz: "Toda posição estática contém em si elementos dinâmicos enquanto exprime equilíbrio de valores patrimoniais que em verdade possuem um movimento, a eles imprimido pela vida da empresa: considerando o capital, pois, em determinado momento (posição estática) podemos aferir como se constitui o que ponto de equilíbrio encontra e assim localizamos seu baricentro."

Também, o Prof. Lopes de Sá, leciona : "Teoricamente o patrimônio tenderia a estática, se não sofresse a ação de agentes ambientais, mas, é em razão da evolução permanente dos elementos externos que a riqueza se movimenta."

Os fatores ambientais exógenos influenciam na dinâmica dos meios patrimoniais.

Para esta afirmação podemos lembrar, como um exemplo, a mudança das estações .

A chegada do frio, recentemente, na região sul, trouxe para as Lojas de Confecções um aumento de até 20% em suas vendas. Os Brechós ( Loja de roupas semi-novas) tiveram um aumento de até 60% em relação ao ano passado. As Farmácias, em decorrência do rápido resfriamento do tempo, tiveram um aumento nas vendas de remédios para gripe e resfriados. Observamos por esses singelos exemplos que houve um aumento nas vendas de roupas para o frio e de remédios para problemas respiratórios típicos da época de frio, tudo em decorrência de fatores externos à célula social .

Ao analisarmos estes fatos observamos que:

1o. Aumentou o fenômeno circulatório (venda) dos meios patrimoniais das Lojas de Confecções, Brechós e Farmácias.

2o. O aumento do fenômeno circulatório dos meios patrimoniais foi causado por influência ambiental exógena (aumento do frio).

Podemos concluir que:

As influências ambientais exógenas causam fenômenos patrimoniais.

As influências ambientais exógenas, podem aumentar ou diminuir o fenômeno circulatório(venda) dos meios patrimoniais, alterando composições da riqueza, assim como as funções de todos os seus sistemas patrimoniais .

Assim como o fenômeno natural, no exemplo, sendo o aumento do frio, pode trazer benefícios a alguns setores do mercado, trará, igualmente, influências negativas a outros segmentos .

O frio resulta em diminuição de vendas de sorvetes, picolés, bebidas como cervejas, refrigerantes, etc. Cria-se, nesse período, uma diminuição do fenômeno circulatório destes setores da economia.

Quando há diminuição de vendas há ocorrência de ociosidade de meios patrimoniais.

Observamos que a influência ambiental exógena traz benefícios para alguns setores e prejuízos para outros.

Estas influências sobre os meios patrimoniais são constantes e devem ser objetivadas como naturais no estudo dos fatos contábeis .

Ao observarmos o patrimônio de uma empresa parece que o mesmo está estático. Na realidade, todavia, a riqueza é sempre dinâmica e se movimenta constantemente. Mesmo se algumas transformações escaparem às nossas observações aparentes, nunca, essencialmente, deixarão de existir.

As mutações constantes, pois, defluentes de atoas da administração ou do pessoal, mesmo externas à riqueza, em si, por este conjunto de fatores derivados de origem de recursos e aplicações de recursos, serão sempre geradoras da dinâmica patrimonial. Nesse dinamismo constante, são criados os fenômenos patrimoniais que devem ser estudados em suas causas, como é o natural no campo de todas as ciências (que preferencialmente procuram conhecer as causas como explicações lógicas de verdades ou realidades que aceitamos) .

FENOMENO PATRIMONIAL

Toda e qualquer ocorrência que se manifesta na essência da riqueza aziendal é um fenômeno patrimonial .

Seja ou não alcançável pela observação ou percebido pelo homem, tudo o que por si mesmo sucede ao patrimônio aziendal é fenômeno patrimonial". (pg. 147, Teoria da Contabilidade, Prof. Lopes de Sá).

Sempre que um fato modificar a riqueza da célula social dará origem a um fenômeno patrimonial.

O pagamento de uma duplicata é um fenômeno patrimonial. A compra de uma mercadoria é fenômeno patrimonial. A venda de mercadoria é um fenômeno patrimonial. Há mutação patrimonial.

Há uma ocorrência variadíssima de fenômenos patrimoniais que a cada momento se processa, tenha a empresa o porte que tiver. Numa pequena célula social as ocorrências de fenômenos patrimoniais podem ser menores, mas, não deixarão de suceder por efeito das transformações constantes que são as da natureza de toda riqueza .

Importante, para a Contabilidade, é o percurso entre a necessidade e a satisfação desta .

Como há um risco em todo movimento da riqueza, embora esses sejam os da natureza das atividades, só são considerados como normais, naturais, os fenômenos que se protegerem contra os azares dos negócios .

Um motor parado, por exemplo, causa uma disfunção patrimonial.

A Contabilidade, todavia, tanto estuda os fenômenos patrimoniais naturais quanto os inaturais.

Os modelos contábeis, devem ser construídos tendo por base as ocorrências normais e que resultam em eficácia. O mesmo ocorre na medicina onde o corpo humano que se tem por base é aquele de um ser normal . Para os casos anormais tem-se um estudo específico e que é o da Patologia . A Contabilidade, não exclui o estudo e a analise dos fatos inaturais, mas, como no caso da medicina os estuda no campo das anormalidades .

A falta de dinheiro para pagar os fornecedores na data apropriada, é inatural.

A má utilização de matéria prima ou o seu desperdício, é inatural.

Compra-se mercadoria, por exemplo, para que esta cumpra plenamente sua função de ser o veiculo básico do lucro e isto é o "natural" (comprar por um preço e vender por outro que cubra todos os encargos e deixe margem de lucro) .

O estudo do fenômeno patrimonial é a matéria essencial da Contabilidade.

O que interessa é saber, entretanto, é se o fenômeno causou eficácia ou ineficácia.

O registro dos fatos, com a devida mensuração, a demonstração, são importantes na Contabilidade, mas, o "mais importante" é a explicação do fenômeno patrimonial e a análise da capacidade de ser este eficaz ou ineficaz.

Para a analise do Consultor Contábil é essencial conhecer as conseqüências do fenômeno patrimonial e o registro contábil não passa de um simples instrumento.

A venda de uma mercadoria é um fenômeno patrimonial e isto gera um registro contábil. Importante, todavia, é saber o que tal fato influiu para a ocorrência da eficácia, quer relativa dos sistemas, quer para a absoluta da célula .

O registro contábil deve espelhar a realidade do fato ocorrido na empresa, mas a opinião sobre o fato ocorrido, além de precisa, deve ter comparações com a realidade desejável (esta a razão dos modelos científicos em Contabilidade segundo nos afirma Lopes de Sá) .

À ciência só interessa a verdade. A verdade se busca na observação de fatos concretos, de fatos que espelham a realidade e são esses fatores que geram a opinião e servem de base para os aludidos modelos .

Galileu Galilei ao formular sua leis da queda livre dos corpos usou as observações e o resultados dos experimentos, mas só opinou quando encontrou relações lógicas entre eles (esta a razão do Neopatrimonialismo lopesista inspirar-se em relações lógicas dos fenômenos patrimoniais).

INÉRCIA E MOVIMENTO PATRIMONIAL PERANTE O NEOPATRIMONIALISMO

Um dos axiomas da teoria das funções sistemáticas do Prof. Lopes de Sá diz: "O meio patrimonial (Pm) tende a implicar em movimento, o que implica logicamente em transformação (Tr) da riqueza, nas células sociais".

Este axioma é fundamental para a dinâmica da riqueza. Sempre que houver movimento patrimonial há transformação da riqueza. Tais relações são inerentes e fundamentais .

Podemos afirmar, também, como ilação, que o aumento da intensidade funcional do meio patrimonial depende de influências ambientais endógenas e exógenas. Igualmente, o declínio da intensidade funcional do elemento patrimonial deflui dos mesmos motivos. Assim, ao sabor dos entornos da riqueza aumentam ou diminuem as intensidades dos movimento do patrimônio.

É inegável que o Neopatrimonialismo, através de seus teoremas (a única corrente de pensamento que elaborou Teoria a partir de um considerável número de teoremas), aqueles de Lopes de Sá, Nepomuceno e outros, tenha sido o responsável por uma visão mais avançada dos conceitos abertos e sistemáticos em Contabilidade , competentes para uma nova visão dinâmica dos fenômenos da riqueza das células sociais .

Reconheceu, a teoria das funções sistemáticas, em seus enunciados que a riqueza, por si só, tende a não causar movimentos e fenômenos circulatórios e que estes só possuem capacidade de oferecer julgamento se sistematizados. Estabeleceu, o pensamento lopesista, ser necessária a influência ambiental endógena e exógena para que a inércia seja rompida e enunciou o grupo das relações lógicas ambientais como agregado .

Enunciou, o Neopatrimonialismo, que a ação endógena ocorre quando o movimento ou fenômeno circulatório é causado pela administração ou pessoal, mas, atou tais fatos a dois grandes grupos genéticos : o da idealização e o da materialização. Assim, aceito em meus estudos como filiado à essa corrente , a mais moderna da Contabilidade . No caso referido, por exemplo, se uma mercadoria é comprada e deixada no estoque, tende a ficar ali até que um fato a movimente. Um dos teoremas de Lopes de Sá, o lider intelectual do Neopatrimonialismo, diz: "Enquanto um meio patrimonial não produz função, tende a permanecer em seu estado inercial".

O entorno da riqueza, interno ou endógeno, é o principal fator da maior parte das movimentações rotineiras, mas, não podemos negar o que também sucede a cada momento, proveniente do mundo exterior .

Tudo circula ao sabor de ações e a maioria destas provem dos entornos da riqueza .

O mesmo enunciou Isaac Newton para os corpos, na Física .

Não devemos confundir, todavia, o movimento em Contabilidade com aquele da Física. Em contabilidade o movimento produz transformação e o meio patrimonial pode até estar fisicamente parado. Para a Física, o movimento do corpo (massa) se move obrigatoriamente, deslocando-se, atuado por uma força que sobre o mesmo agiu.

O Prof. Lopes de Sá nos ensina que "Movimento é tudo aquilo que produz a transformação, quer de necessidade, quer de finalidade, quer de utilidade ou função, quer de qualidade, quer de quantidade, quer de tempo, quer de espaço, etc." E acrescenta que: "O Circulante produz movimento mas, nem todo movimento do patrimônio é de natureza circulante".

"Todo fato competente para alterar as relações lógicas que determinam os fenômenos patrimoniais é um movimento patrimonial."

O movimento patrimonial se dá quando o padeiro compra farinha (matéria prima) e a transforma em pão ou quando o carpinteiro compra a madeira e a transforma em móveis para vender.

Outra transformação ocorre, mesmo sem qualquer movimento interno, quando uma empresa possui um motor e este é superado por outro de muito maior capacidade de rendimento e que surge no mercado (obsolescência) .

Houve, no exemplo, um movimento patrimonial e não um movimento físico. O motor permaneceu no estoque, parado, mas, perdeu sua utilidade e valor por influência ambiental exógena.

A obsolescência independe de ação interna, decorrendo sempre de fato externo. Hoje, é um problema muito sério. Há uma rápida inovação dos meios patrimoniais, em decorrência de novas tecnologias.

É o caso de uma empresa de Autopeças que constantemente precisa renovar seu estoque. Se não o fizer correrá o risco de seus meios patrimoniais tornarem-se obsoletos, em face de novas tecnologias empregadas nos automóveis.

Também é o caso de uma empresa de Informática, onde há mudanças rápidas e constantes. A fabricação de novos componentes eletrônicos vai substituindo os que estão no mercado. É um dos setores da economia que teve um desenvolvimento rápido nos últimos anos e que corre sérios riscos.

A compra de um elemento eletrônico, deixado no estoque, uma vez obsoleto, tende à inércia.

"A inércia é uma abstração, de uma posição relativa, porque é da natureza do patrimônio render utilidade através da utilização constante da riqueza aziendal".(pg. 157 T. Contabilidade, Prof. Lopes de Sá)

Um meio patrimonial adquirido e armazenado, fica em estado de inércia até que um fato produza movimento. Na inércia ele continua sua potencialidade, mas, sua capacidade funcional, poderá ser alterada por influências ambientais exógenas a qualquer momento. Se no mercado por questão de concorrência, houver baixa de preço, o mesmo sofrerá transformação em seu valor. Houve assim um movimento patrimonial. Este também é um caso de perda de potencialidade.

Todo meio patrimonial adquirido e integrado ao patrimônio, portanto, esta sujeito a influências ambientais constantes, quer sejam estas endógenas ou exógenas. Ele pode estar em estado estático (teoricamente) mas ocorre que constantemente haverá influências ambientais externas sobre o mesmo que implicam em transformação e esta em aspecto de dinâmica patrimonial .

Não podemos esquecer que a célula social faz parte do entorno ou continente onde ela está inserida. A mesma recebe influências ambientais internas e externas como , por interação, também influi neste ambiente. Esta interação é uma realidade e as teorias lopesistas se preocupam em reunir tais realidades em teoria própria .

O Neopatrimonialismo, ao se preocupar com tudo isto, assoma-se como a doutrina da Contabilidade que no terceiro milênio tem condições de suportar a evolução acelerada de um mundo em alta velocidade de transformações .

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INFLUÊNCIAS AMBIENTAIS EXÓGENAS

Werno Herckert

 

O patrimônio é influenciado por acontecimentos externos. São vários os fenômenos que causam pressão sobre o mesmo. Citemos alguns: A falta de energia elétrica, as estações do ano, a estiagem tempestades, a cotação do dólar, uma grande promoção, etc. São alguns fenômenos que influenciam o patrimônio. A contabilidade como ciência do patrimônio estuda e reflete estas influências exógenas. São fenômenos que podem levar o patrimônio a ser eficaz como pode leva-lo a ineficácia. Por isto é necessário uma atenção e reflexão mais apurada por todos aqueles que tem responsabilidade sobre o patrimônio.

FALTA DE ENERGIA ELÉTRICA - quando prolongada certamente causará inutilidade parcial ou total em estoque que dependem da refrigeração principalmente no verão. A realidade nos tem demonstrado a perda de estoques de peixes, carnes, sorvetes, etc. obviamente com prejuízo patrimonial.

ESTAÇÕES DE ANO - tem influência sobre o patrimônio de alguns segmentos da indústria e comércio. Aja visto que no mês de março inicia a liquidação de roupas de verão. Inicia a venda de roupas de inverno. A indústria e comércio de vinho tem o inverno como melhor época e a cerveja o verão.

ESTIAGEM - As perdas das safras em regiões agrícolas afetam o patrimônio na diminuição das vendas pelo comércio. O agricultor vai mal o comércio e a indústria destes locais também. São as regiões de predominância agrícola.

TEMPESTADES - uma tempestade de granizo pode afetar uma parte ou no todo uma horticultura. Principalmente quando esta trabalha sem estufas. Mesmo com estufas muitas vezes há perda de plantação

COTAÇÃO DO DÓLAR - há uma grande influência no patrimônio principalmente nas empresas que compram e vendem mercadorias atreladas ao dólar.

GRANDES PROMOÇÕES - as promoções como Expofeira, Feira de Hortigranjeiros e outras tem demonstrado influências positivas e negativas sobre o patrimônio. Numa Expofeira que houve mau tempo. Muita chuva, os patrimônios sofreram inclusive perdas. Enquanto que uma Expofeira que houve tempo bom os participantes tiveram lucro.

A ciência da contabilidade está preocupada com estes fenômenos externos. Acredito que se deva refletir com profundidade sobre estes fenômenos. Vejo estes fenômenos como causadores de desequilíbrio patrimonial. Podem afetar profundamente o patrimônio.

Neopatrimonialismo tem demonstrado preocupação estudando e refletindo estes fenômenos.

 

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SISTEMA DE LIQUIDEZ SOB A ÓTICA DO NEOPATRIMONIALISMO

Werno Herckert

Contador

Setembro de 2000

Este artigo apresenta reflexões sobre o sistema básico da liquidez, esse como um agregado de funções volvidas a satisfazer as necessidades de pagamentos relativos aos compromissos da célula social com a comunidade que a envolve. Objetiva, inclusive, tanto a influência ambiental endógena como a influência exógena no que essa tangem a riqueza da célula social. Também influencia o entorno ambiental onde está inserida a célula social. Os fluxos e refluxos circulatórios que produzem a eficácia ou a ineficácia no sistema da liquidez são aqui considerados em suas relevâncias.

 

FUNÇÃO E DISFUNÇÃO DA LIQUIDEZ

A função básica da liquidez é transformar meios patrimoniais em numerário para suprir a necessidade de pagamento da riqueza da célula social. É a de pagar em dia o compromisso assumido com terceiros. Objetivo essencial, pois, do comportamento sistemático, no caso, é o do suprimento da necessidade de realizar pagamentos, nos locais e tempos certos, na quantidade e com as qualidades pertinentes.

A eficácia da liquidez depende da condicionante referida. Não ocorrendo o pagamento dentro das dimensões referidas, não se satisfaz a necessidade e, então, o que ocorre é a ineficácia.

O pagamento é um fenômeno patrimonial, pois, sempre que um fato modifica a riqueza ocorre tal evento. Por exemplo, o pagamento de uma duplicata, a compra de uma mercadoria, a venda deste meio patrimonial, o pagamento de juro, um empréstimo bancário, etc. O pagamento de uma duplicata em seu vencimento é um fenômeno patrimonial que resultou em eficácia, sendo essa a condição desejável e também natural. O seu pagamento com atraso é um fenômeno indesejável e antinatural. A falta de dinheiro para pagar tempestivamente os fornecedores, na data de vencimento de uma obrigação é antinatural.

A contabilidade, todavia, tanto estuda o natural como o antinatural em relação ao patrimônio, mas, os modelos que objetiva são os de eficácia.

O modelo contábil, deve, ser constituído tendo por base a ocorrência normal e que resulta em eficácia. O mesmo ocorre na medicina onde o corpo humano que se tem por base é aquele de um ser normal. Para os casos anormais tem-se um estudo específico e que é o da Patologia. A contabilidade não exclui o estudo e a análise do fato inatural, mas, como na medicina, o estuda no campo das anormalidades, como se fosse uma patologia patrimonial.

O desejável na célula social é que ocorra o fenômeno patrimonial natural e que o sistema da liquidez seja eficaz.

Liquidez eficaz é a capacidade de transformar meio patrimonial para satisfazer a necessidade de pagar encargo assumido com terceiro. O Prof. Lopes de Sá leciona: "Uma liquidez é eficaz quando os meios de pagamento suprem tempestivamente as necessidades de pagamento, ou seja, quando tais meios se convertem rapidamente em dinheiro a tempo de socorrerem as saídas de numerários que a azienda necessita cobrir". (Pg. 225) . E quanto a eficácia nos diz: "A eficácia do sistema (EaS) ocorrerá, se e somente se, o patrimônio meio (Pm) em função, conseguir anular a necessidade patrimonial (Pn)". Pg. 179. Para que a liquidez tenha eficácia é necessário que aja mais meio de pagamento que necessidade de pagamento. Possuir dinheiro em depósito bancário não significa liquidez eficaz. Esta disponibilidade de numerário é parte do sistema da liquidez. Disponibilidade não é o mesmo que liquidez.

Cecherelli, pai das idéias que gerariam a Escola Aziendalista, insistia na diferença conceptual entre disponibilidade e liquidez. Lecionava que disponibilidade eram os meios líquidos e aptos para uma função imediata e os realizáveis para os mesmos atos, mas mediatos, estes os que se podem transformar em dinheiro e a liquidez todo o conjunto de uma correlação tempestiva entre meios e necessidades em face da função do dinheiro. Pg. 108.

Também o Prof. Edmilson Patrocinio de Souza nos diz: "Disponibilidade é o conjunto de bens patrimoniais representados pelo dinheiro e elementos do capital circulante que rapidamente se transforma em numerário". E assim podemos dizer que disponível é o elemento patrimonial e liquidez é a capacidade deste elemento de ser eficaz em pagar o compromisso da célula social. Por compromisso entendemos encargos sociais, taxas, impostos, fornecedores, empréstimos, juros, etc.

Quando há uma compra de um computador para uso pessoal com dinheiro do caixa, houve um desvio de função o que chamamos de disfunção de liquidez. O meio de pagamento não foi usado corretamente. Houve, sim, uso indevido do dinheiro da empresa. O disponível do caixa é para encargos da célula social e não suprir necessidade particular. Isto ocorre principalmente na empresa individual, empresa de pequeno porte ou com tradição familiar. A realidade nos tem demonstrado o uso indevido da liquidez. Onde o empresário usa meio de pagamento para saldar dívida pessoal ou familiar. Não separa o caixa da empresa com o caixa da família. Todo pagamento efetuado em caso particular e não da empresa constitui uma disfunção da liquidez. Pois esta tem função de saldar compromissos da célula social. Aja visto que um dos fatores da falência de empresa está no desvio de dinheiro para caso particular. Esta anomalia afeta os outros sistemas como a resultabilidade, estabilidade, economicidade, produtividade, invulnerabilidade e elasticidade. Cada sistema é autônomo mas há interação constante entre os mesmos. A eficácia ou ineficácia de um dos sistemas vai influenciar os outros sistemas.

 

INFLUÊNCIA AMBIENTAL ENDÓGENA E EXÓGENA NA LIQUIDEZ

A influência ambiental endógena que é da administração e do pessoal é interna na célula social. Ela pode causar eficácia ou ineficácia no sistema básico da liquidez. A compra ou a venda de meio patrimonial pelo gerente influenciará a liquidez. Pois tanto na compra como na venda de mercadoria haverá mutação no caixa. Na compra de meio patrimonial haverá diminuição e na venda aumento de numerário. O sistema da liquidez tenderia a inércia se não houvesse influência ambiental endógena ou exógena. São estas que constantemente dinamizam a liquidez. Por exemplo, o dono de uma loja de roupas compra camisas para vender. Paga a vista. Saiu dinheiro do caixa. Houve uma modificação de numerário por influência ambiental endógena. Na venda da camisa há entrada de dinheiro no caixa por influência ambiental exógena. Assim também ocorre constantemente com outro meio patrimonial. O fenômeno patrimonial vai ocorrendo sempre que houver mutação no meio de pagamento. Cada vez que sai ou entra dinheiro no caixa ocorre o fenômeno patrimonial. A ocorrência deste é numeroso diariamente, principalmente, em Bancos onde a cada momento é depositado ou retirado dinheiro e num grande Supermercado ocorre também inúmeros fenômenos patrimoniais no sistema da liquidez. Também a influência ambiental exógena vai criando fenômeno patrimonial na liquidez. Por exemplo, a alta do dólar, é uma influência ambiental exógena, vai gerar mutação no sistema de pagamento. Aumentando o dólar é necessário mais dinheiro para pagar o fornecedor que vendeu nesta moeda. Há uma diminuição na capacidade do meio de pagamento. Por exemplo, uma caixa de óleo de girassol custa 12 dólares. Em moeda nacional o dólar a R$ 1,80 vai custar R$ 21,60. Subindo o dólar a R$ 2,00 precisa de R$ 24,00 para pagar a mesma caixa. Aumentou assim a necessidade de mais dinheiro para a mesma mercadoria. Assim ocorre com outro meio patrimonial; a influência ambiental exógena cria variação no meio de pagamento. Esta mutação interessa à Contabilidade e é importante saber a repercussão nos outros sistemas. A escrituração do fato contábil é importante, mas, o que é mais importante é saber a repercussão do fato na dinâmica patrimonial para assim poder criar modelo contábil eficaz para a gestão da célula social.

A liquidez sofre influência também do mercado, do governo, da intempérie , etc.

Quando há diminuição de compra ou serviço há diminuição de liquidez. Isto quer dizer que quando diminui a procura de meio patrimonial e serviço há obviamente a diminuição de entrada de dinheiro e com isto a dificuldade de pagamento.

O governo quando aumenta o imposto cria problema de caixa na empresa e com isto afeta a dinâmica do pagamento.

A intempérie tem influência na liquidez. Ela pode gerar um aumento de liquidez ou diminuição da liquidez. Vai depender do setor de atividade da empresa e em algumas é de alta relevância, como as do meio rural.

Observando e analisando num curto espaço de tempo a intensificação do frio na região sul, houve influência do mesmo no aumento da venda do meio patrimonial para se resguardar do frio, houve assim, acréscimo de venda nas lojas de roupas, no comércio de fogões a lenha, de ar condicionado, de aquecedores, de vinho, de chocolate, de chás, etc. Houve uma dinamização destes meios patrimoniais em virtude do aumento do frio.

Verificou-se também, uma diminuição da atividade de outros setores patrimoniais como: refrigerantes, sorvetes, sucos de frutas, cachorro quente, gelo, água mineral, ventilador, horticultura, etc.

Quando há aumento de venda tende a existir, normalmente, a dinamização da liquidez. Existem, é óbvio, também, casos anormais como os dos calotes, desonestidades do cliente, inadimplências etc e isso faz parte do risco empresarial, considerável, na teoria lopesista da Contabilidade, no sistema da invulnerabilidade.

Quando há diminuição de venda tende a existir diminuição na liquidez, ainda que temporária. Quando há aumento de venda há aumento da liquidez ainda que possa ser também temporário.

A influência ambiental exógena do fenômeno natural do frio tem influência em alguns meios patrimônios.

 

INFLUÊNCIA DA LIQUIDEZ NO ENTORNO

Numa célula social onde há eficácia da liquidez há influência positiva no entorno patrimonial, quer direta, quer indiretamente. O pagamento eficaz dos encargos sociais, de fornecedores, de impostos, etc. tende a gerar a satisfação do empregado. O empregado satisfeito produzirá mais e melhor. O fornecedor terá confiança que o pagamento será efetuado no vencimento e poderá planejar novos investimentos e os governadores públicos poderão dispor de dinheiro para novas obras em beneficio da população (quando não desviam os recursos, como os tem feito segundo tem noticiado a imprensa a cada dia).

Havendo diminuição da função da liquidez a célula social terá dificuldade financeira para pagar seus compromissos. Esta dificuldade poderá ser causada por inadimplência que é falta de pagamento do cliente, diminuição das vendas, aumento de impostos e taxas, etc.

A disfunção do sistema da liquidez, quando ocorre a dificuldade em saldar compromissos gera problemas no setor pessoal, muitas vezes com diminuição do quadro, no estoque com diminuição das compras, atraso no pagamento a fornecedor, imposto, etc. Cria-se assim, também, influência negativa na comunidade.

Um dos problemas sociais gerados por crise na liquidez é o desemprego. Em casos graves pode ocorrer a falência da célula social.

 

LIQUIDEZ E A CORRENTE CIENTÍFICA DO NEOPATRIMONIALISMO

A observação e a análise do que ocorre no interior e no exterior da riqueza aziendal é matéria importante para a gestão da liquidez. O Neopatrimonialismo de forma competente vem observando, estudando e criando novas teorias para a eficácia do sistema da liquidez bem como para o patrimônio.

Uma legião de professores, profissionais, escritores, universitários qualificados, compõe hoje uma das maiores correntes de pensamento científico da Contabilidade, a primeira em toda a história do Brasil e que pela primeira vez também na comunidade intelectual internacional apresenta uma doutrina deveras holística.

Essa importante corrente analisa diversos teoremas, bases para modelos de liquidez, mas, com rigores científicos.

Não são modelos empíricos de aplicação parcial, mas, como convém à ciência, de valor universal.

Neopatrimonialismo de Lopes de Sá, ao qual nos filiamos, conta com milhares de adeptos em todo mundo, e a seriedade dos estudos dessa corrente científica é que a consagrou (está hoje em páginas da Comunidade Européia e em diversas outras das Américas).

De acordo com essa corrente, o sistema da liquidez é um sistema básico e merece teoria específica.

O teorema de Lopes de Sá que enuncia que: "A liquidez só tem condições de crescer efetivamente quando aumentam os meios de pagamentos, sem que ocorra um equivalente acréscimo das dívidas e especialmente quando o aumento se opera com a retenção dos lucros líquidos finais"(teoria da Contabilidade, página 242) é dos mais importantes para os estudos da questão.

Relaciona, fatores de relações importantes: o quantitativo dos componentes do sistema e a origem do aumento quantitativo dos meios.

Estabelecer os modelos que determinam essa relação de harmonia é uma grande tarefa que os neopatrimonialistas estudam em bases científicas e que vem fazendo evoluir a doutrina da Contabilidade.

 

BIBLIOGRAFIA

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WALTER, Milton Augusto. Introdução à análise de balanços. Rio de Janeiro: Saraiva, 1978


 A NOVA CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO SOBRE TECNOLOGIA

Werno Herckert

Breve síntese da contribuição instituída pela Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2.000.

No apagar das luzes do ano de 2000, mais uma vez o governo federal surpreendeu a todas as pessoas jurídicas, realizando uma manobra que já é de praxe de todos os governantes brasileiros. Publicou, em edição extra do Diário Oficial da União, de 30 de dezembro de 2000 (sábado), a Lei nº 10.168, que instituiu a denominada contribuição de intervenção no domínio econômico incidente sobre os valores pagos, entregues ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente da exploração de patente ou de uso de marcas (royalties), da aquisição de conhecimentos tecnológicos, bem como da remuneração decorrente de contratos que impliquem a transferência de tecnologia, tal como o  fornecimento de tecnologia e a prestação de assistência técnica por residentes ou domiciliados no exterior. 

Referida contribuição, que será cobrada, fiscalizada e administrada pela Secretaria da Receita Federal, tem alíquota de 10% (dez por cento) e incide sobre o valor total remetido a residentes ou domiciliados no exterior a cada mês, pela pessoa jurídica detentora dos direitos acima descritos. Os recursos arrecadados pela contribuição ora instituída serão destinados, conforme disposto na referida lei, ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT e visam atender ao Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para Apoio à Inovação, cujo objetivo é estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro. 

A citada legislação aplicar-se-á aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2001, devendo, porém, haver regulamentação por parte da Secretaria da Receita Federal para esclarecimentos dos principais pontos obscuros que envolvem indigitada contribuição.

As chamadas contribuições sociais de intervenção no domínio econômico estão previstas no artigo 149 da Constituição Federal, que outorgou competência exclusiva à União Federal para instituí-las, e devem impreterivelmente atender a uma finalidade exclusiva de proteção à ordem econômica brasileira, tal qual prevista e delineada nos artigos 170 e seguintes da Constituição Federal.

A natureza tributária de tais contribuições já não é mais discutida atualmente, a elas aplicando-se todos os princípios e regramentos norteadores do direito tributário pátrio.

Por sua vez, a Medida Provisória nº 2.062-61, editada no Diário Oficial de 29 de dezembro de 2000, aumentou de 15% para 25% a alíquota do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as importâncias pagas, creditadas ou remetidas ao exterior a título de royalties, condicionando, porém, à redução desta alíquota, bem como da alíquota incidente sobre as importâncias remetidas ao exterior a título de serviços técnicos e assistência técnica, para 15% na hipótese de instituição da contribuição de intervenção no domínio econômico incidente sobre estas mesmas importâncias.

Com isso, as alíquotas do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre a remessa de royalties, assim como sobre a remessa decorrente da remuneração da prestação de serviços técnicos, assistência técnica e transferência de tecnologia foram, a partir de 1º de janeiro de 2001, submetidas à mesma alíquota, ou seja, passaram a ser 15% (quinze por cento). 

Sobre as mesmas importâncias remetidas ao exterior, as pessoas jurídicas internas deverão, a partir desta mesma data, recolher a contribuição instituída pela Lei nº 10.1268/00, à alíquota de 10% (dez por cento); havendo porém uma diferença básica do que já vinha sendo cobrado nas remessas decorrentes da prestação de assistência técnica, pois o contribuinte é a pessoa jurídica interna, e não mais o residente ou domiciliado no exterior, como é o caso do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF).

 Com a edição da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, mais uma vez o governo federal contrariou o posicionamento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, reiterado em diversos julgados anteriores, e que sem dúvida alguma deverá ser levado mais uma vez à discussão perante este Egrégio Tribunal, qual seja a violação do princípio constitucional da anterioridade. Lamentável é também a atitude de nosso Congresso Nacional que, na calada da noite e cegamente, apunhalou a todos ao aprovar uma legislação instituidora de uma das contribuições sociais mais severas às pessoas jurídicas que tentam hoje se estabelecer no país.

             A conclusão desta breve análise revela um novo aumento da carga tributária incidente sobre as empresas brasileiras, geradoras de  riqueza e de emprego, em detrimento de uma reforma tributária profunda e tão necessária para o desenvolvimento do país.


O  SISTEMA DA ECONOMICIDADE SOB A ÓTICA DO NEOPATRIMONIALISMO

Werno Herckert

 

Os empreendimentos humanos podem ser constituídos para durar ou para atender a situações emergentes . 

As células sociais , todavia, normalmente, possuem a característica da intenção de durabilidade, ainda que esta seja por um tempo determinado dentro de uma finalidade que requer um prazo ou ciclo completo de ocorrências  .

Elas nascem para  viver e sobreviver, como as espécies na Biologia. 

O normal na vida das entidades, seja de que espécie for, é o de lutar pela sobrevivência .

Assim, também, o natural, na célula social, é a sobrevivência no tempo .

A perenidade, todavia, parece não seu um objetivo alcançável por tudo .

Pesquisas têm denunciado dados assustadores e até decepcionantes, pois 80% das microempresas morrem no 1o. ano de existência.

Mesmo as empresas chamadas familiares, habitualmente desaparecem na 2a. ou 3a. geração e as de porte maior quase sempre se fundem com outras aziendas.

São poucas as que sobrevivem e conseguem a longevidade.

Parece existir uma relação direta entre a duração dos empreendimentos e a vitalidade dos mesmos .

Tal fato justifica a dedicação a um estudo específico sobre o sistema de funções patrimoniais que tem por objeto a conservação da existência pelo exercício de uma vida sadia e que é o da economicidade .

 

ECONOMICIDADE E LIQUIDEZ

 

 A economicidade, segundo a doutrina lopesista, é o sistema da vitalidade da riqueza e que garante a sobrevivência do patrimônio, quer internamente, quer externamente, enquanto que o da liquidez, por exemplo, é o sistema que objetiva a capacidade de pagamento eficaz dos compromissos financeiros da riqueza aziendal para com terceiros e o da resultabilidade é aquele que exerce as funções de obter o lucro .

 

Há uma interação constante entre estes três sistemas  com os demais e com o equilíbrio da composição da riqueza .

Essa a razão pela qual a teoria das funções sistemáticas classifica esses quatro sistemas como básicos .

 

Quando há liquidez eficaz, onde os pagamentos são feitos em dia se exerce com melhor desempenho a economicidade.

Esta deve ser o objetivo de toda célula social seja ela lucrativa ou não. A economicidade será comprometida quando há disfunção do sistema da liquidez. Por disfunção entendemos desvio de dinheiro para assuntos particulares ou investimentos que comprometem a liquidez.

 

ECONOMICIADE E RESULTABILIDADE

 

A economicidade depende de outras eficácias , mas, acentuadamente da resultabilidade .

A vida aziendal é dependente de todas as eficácias, mas, preponderantemente daquelas dos sistemas básicos .

Modernamente hoje se reconhece que existem condições especiais, determinantes, de mais influências que as outras, embora não se negue que a harmonia deve prevalecer no desempenho de todos os sistemas de funções .

 

É preciso uma interação de eficácias, ou seja, de interações perfeitas .

O resultado lucrativo, entretanto, é determinante .

 

Quando a dinâmica patrimonial apresenta rédito positivo se exerce a economicidade.

 

Há casos, todavia, em que se vendem  meios patrimoniais com prejuízo para atrair o cliente para que este leve outra mercadoria e para aumentar a clientela.

Um prejuízo pode ser compensado com venda de outros meios patrimoniais.

É o caso, por exemplo, das promoções principalmente em supermercados.

Neste caso o rédito negativo de um ou mais meios patrimoniais não afetará a economicidade da célula social por maior giro de outras mercadorias e aumento de clientela.

Nos ensina o Prof. Lopes de Sá: “O paradoxo de perda eficaz é, portanto, dependente da ocorrência de resultado futuro, ou seja  a perda só se comprovará eficaz se e somente se resultar em elemento futuro que venha a representar um acréscimo de valor na empresa e que possa, não só anular a redução momentânea, mas, superá-la”.

A perda momentânea, com aumento de clientela, pode tender a compensações futuras, com a ocorrência de prosperidade.

A clientela é um bem imaterial que não se registra contabilmente no momento mas é um valor patrimonial que tende a agregar-se ao valor de um capital .

 

Na dinâmica do meio patrimonial o desejável é que o mesmo apresente resultado positivo, por pequeno que seja, para a sanidade da riqueza.

A saúde do patrimônio deve ser um dos objetivos básicos da atividade e esta se facilita quando influem os efeitos da liderança e os da qualidade do pessoal.

 

O FENÔMENO AMBIENTAL ENDÓGENO E A ECONOMICIDADE

 

O patrimônio pode beneficiar-se ou prejudicar-se em razão de fatores internos na célula social, ou seja pela influência que ocorre através da direção ou do pessoal, tudo com repercussão na economicidade.

Tais fenômenos tendem a ser tanto mais eficazes quanto mais benéficas forem as lideranças e a capacidade dos executivos .

Os modelos contábeis podem ensejar decisões mas estas dependem da capacidade de entendimento e aplicação dos mesmos .

Pessoas pouco esclarecidas , sem cultura específica, tendem a confundir o verdadeiro papel que o Contador pode exercer sobre o todo e por isto tentam deturpar a grande missão do contador no 3o. milênio. 

Em 1999 a Organização das Nações Unidas em publicação específica afirmou: “O profissional da Contabilidade é imprescindível ao desenvolvimento econômico, social, e até político de qualquer nação...” (Ver Os Contadores na visão das Nações Unidas, Prof. Lopes de Sá).

 

É o profissional que tem condições de analisar a dinâmica do capital, orientar e assessorar o empresário para que a célula social tenha economicidade e prosperidade pois o Contador é o que pode ensejar a condução ideal para a riqueza .

 

Observando a dinâmica patrimonial podemos ver duas formas de organização:

 

Empresas - só vivem para a maximização do lucro e da riqueza para a minoria.

 

Instituições – as que visam suprir necessidades humanas de fins ideais .

 

Muitas empresas têm tendência a morrer cedo porque seus líderes concentram-se na produção e no lucro e esquecem-se de que a célula social é um organismo , um conjunto de pessoas que ali estão para sobreviver e não para deixar de existir precocemente .

 

Para que a economicidade da célula social possa, todavia, conseguir seu intento eficaz faz-se necessário :

 

1o. Sensibilidade perante as influências ambientais (entorno) ou seja, capacidade de se adaptar às mudanças impostas pelo ambiente.

 

2o. Coesão interna, ter um sentido de união em torno dos objetivos da empresa.

 

3o. Tolerância às novas idéias do pessoal. Sair do convencional e dar oportunidade de criatividade a todo o grupo.

 

4o. Controle financeiro para que não haja desperdício e que os investimentos sejam feitos visando o bem estar da riqueza aziendal e sua independência financeira onde não seja necessário  empréstimo mas trabalhar com recurso próprio.

 

5o. Sucessão de liderança , ou seja, continuidade gerencial instruindo aqueles com potencialidade de líder para assim ter continuidade administrativa quando se fizer necessário.

 

6o. Persistência , ou seja, existir tanto nas horas boas como nas horas de dificuldades.

 

7o. Confiabilidade , ou seja, o cliente deve se sentir confiante ao negociar com a empresa. Deve haver ética nos negócios.

 

8o. Fixação da clientela, ou seja, o efeito do comprador não evadir e este deve ser um dos objetivos básicos da célula social. É preciso dar atenção constante para aumentar ampliar a rede de clientes permanentes . A dinâmica patrimonial depende do cliente. Na visão empresarial moderna o cliente é como se fosse o patrão.

 

9o. Planejamento ou seja o prever o futuro aproveitando as oportunidades de experiência do passado e objetivando sempre prazos maiores possíveis (nem sempre um prazo longo demais porque as mudanças são demasiadamente rápidas na atualidade) .

10o. Conhecimento ou ainda,  criando e ampliando o conhecimento do pessoal em conhecimento corporativo gerador de riqueza e bens.

A instrução, o conhecimento cada vez mais se faz necessário no 3o. milênio.

Como bem o diz o Prof. José Joaquín Maldonado “El conocimiento constituye una de las fuentes, son la mas importante, de generación de riqueza”.   

Esta já uma era do conhecimento que vem sucedendo á exclusivamente industrial e que por sua vez foi a sucessora daquela da terra .

O poder está associado ao conhecer .

Na célula social há duas formas de conhecimento:

 

1o. O transmitido pelo modo tradicional. É o planejar o que se quer transmitir e depois passar aos empregados.

 

2o. O Criativo e que é gerado no ambiente onde se quer aprender e estabelecer novas idéias .

 

A sobrevivência empresarial, pois, é um composto de elementos que combinam os conhecimentos administrativos e contábeis e que depende da eficácia de desempenho .

Não se confundem, entretanto, os aspectos de observação cientifica, ou seja, a Administração observa a ação humana e a Contabilidade o comportamento da riqueza .

Existem, entretanto, limites que unem esses conhecimentos e que no estudo da vitalidade são de rara importância ,

A doutrina neopatrimonialista realiza a análise dessas referidas associações sem contudo permitir que se confundam as óticas de conhecimento .

 

 

FENÔMENO AMBIENTAL EXÓGENO E A ECONOMICIDADE

 

O entorno, em si, não é objeto de estudos da Contabilidade, mas, sim, os efeitos que aquele causa sobre o patrimônio e que é causa de muitos acontecimentos .

Refiro-me aos fenômenos circulatórios da riqueza em decorrência das influências externas de mercado, sociedade, tecnologia, política, natureza etc.

Assim como há influência ambiental do entorno há também a reciprocidade de influência do capital  na comunidade.

Há uma interação constante entre ambos. A economicidade interessa para a célula social como também, para a sociedade onde está inserida a azienda.

A sobrevivência e a prosperidade aziendal geram empregos, taxas e impostos, novas  filiais, motivação para criar novas empresas  e gerar ainda mais meios patrimoniais .

 

Para que haja economicidade na riqueza aziendal é necessário a direção como o pessoal dar atenção à influência externa pois esta poderá repercutir na  dinâmica  do capital.

 

Sabemos que uma direção competente pode anular influência ambiental exógena que pode causar diminuição na dinâmica patrimonial.

O desejável é que sempre que ocorram influências externas que prejudiquem o bom andamento dos meios patrimoniais tais efeitos negativos sejam anulados por modelos contábeis competentes.

Uma das influências externas que pode criar problemas na economicidade é, por exemplo, a concorrência.

Com a abertura das fronteiras comerciais aumentou a concorrência da qualidade e dos preços.

 

A vida patrimonial tem um contexto mais amplo do que receber e pagar em meios de pagamento.

 

Não basta ter uma liquidez eficaz. É necessário ter uma visão holística onde se analisa todo  fenômeno interno e externo que vai tanger a riqueza da célula social.

 

Muitas empresas fracassam por miopia de seus dirigentes. Não enxergam ou não querem ver os acontecimentos ambientais.

 

Citemos alguns fatores de diminuição da economicidade e até do desaparecimento aziendal.

 

1o. Falta de conhecimento do negócio.

 

2o. Mau atendimento ao cliente.

 

3o. Falta de qualidade e preços nos produtos.

 

4o. Desvio de meios de pagamento para casos particulares.

 

5o. Falta de objetivos comuns.

 

6o. Falta de controle financeiro.

 

7o. Fraudes internas e externas.

 

8o. Inadimplência.

 

9o. Concorrência.

 

10o. Obsolescência 

 

Há agentes internos e externos que influenciam a dinâmica da riqueza. São como se fossem forças derivadas dos ambientes sendo, no interno o dirigente o pessoal e no externo os já referidos : mercado, natureza, tecnologia, etc.

 

Não se pode extrapolar pensando que devemos analisar o fenômeno de mercado, pois, este é matéria para o economista. Mas não podemos esquecer que o mesmo influenciará a dinâmica  dos meios patrimoniais da azienda e que se caracteriza como um fenômeno específico em face dos efeitos que causa na riqueza .

 

 

 

BALANÇO SOCIAL E A ECONOMICIDADE

 

Balanço Social é um demonstrativo de fenômenos circulatórios patrimoniais ambientais.

Espelha aquilo que a empresa agregou à comunidade, ou seja, o que pagou à instrução do pessoal, na assistência social, no meio ambiente natural, aos empregados, aos Bancos, ao Governo, aos acionistas, etc.

Trata-se da evidência da célula na sociedade onde a sobrevivência transcende à da própria azienda .

 

Alguns estudiosos tem a Alemanha como local de onde surgiu o Balanço Social.  Schmalenbach, expoente da doutrina reditualista, se preocupou com o que a azienda oferece a sociedade em que vive.

 

Depois, em 1977, a França foi a primeira nação   a editar e publicar uma lei sobre o Balanço Social.

 

Mais recente, a Lei 8.ll8/98 do município de Porto Alegre-RS, disciplinou a exigência do Balanço Social nas empresas inseridas no município.

 

Há uma preocupação em estreitar as relações da célula social com o entorno visando o bem estar social.

 

Sabemos que toda azienda tem uma responsabilidade com a comunidade. Interessa, portanto, ao pessoal interno e externo da empresa como a sociedade que se exerça a economicidade aziendal.    

 

Sempre que a célula social for próspera e  exercer a economicidade  haverá benefícios sociais. Sempre que a célula social desaparecer haverá prejuízos sociais.

O desaparecimento de empresas, como tem ocorrido ultimamente, causa desemprego e com isto problemas à comunidade.

 

O fenômeno do desemprego é matéria de estudos e análise da ciência Econômica. Mas interessa, também, à Ciência Contábil. Isto porque o fenômeno econômico vai influenciar a dinâmica da riqueza aziendal. Devemos diferenciar os campos de estudos da cada ciência. Mas não podemos ignorar que há influências ambientais com repercussão no patrimônio e em conseqüência na economicidade.

 

O neopatrimonialismo vem se mostrando competente na análise e nos estudos dos fenômenos patrimoniais delineando assim um caminho  que leva o patrimônio aziendal a ter sanidade com vitalidade e assim se perpetuar na temporalidade.

 

A sobrevivência empresarial é de interesse social e a contribuição da Contabilidade para que ela ocorra é, obviamente, o mais relevante serviço que a nossa ciência presta à humanidade .

Nossa função maior não é a de informar como admitem os que não possuem óticas cientificas, mas, sim a de levar as células sociais à prosperidade, através de modelos de eficácia .

 

 

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